Até o fim de setembro, todas as agremiações do Grupo Especial terão escolhido canções que embalarão os desfiles 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Quadra da Portela recebe a final da disputa de samba para o carnaval 2027, quando a escola vai homenagear o baluarte Monarco — Foto: Gil Lira A tradicional roda de samba-enredo do Baródromo, no Maracanã, Zona Norte do Rio, se dedica a temas que fizeram história nos desfiles de carnaval. Na edição do domingo passado, a ordem dos fatores se inverteu: incluído no repertório, o hino que a Mangueira ainda vai defender na Avenida, em 2027, já foi cantado a plenos pulmões. A composição de Lequinho, em parceria com outros cinco autores, havia sido escolhida na véspera, na quadra da verde e rosa. No mesmo sábado, a Mocidade Independente de Padre Miguel anunciou a canção que vai levar para a Sapucaí no ano que vem. Um dia antes, foi a vez da Portela. Até o próximo fim de semana, mais quatro atrações do Grupo Especial terão seus sambas na ponta da língua — e, até o dia 20, as quatro resolvem a questão. É isso mesmo: o carnaval é logo ali. O Paraíso do Tuiuti foi a primeira agremiação a divulgar seu samba, em 31 de julho. Diferentemente das coirmãs, a escola trocou a disputa por uma encomenda aos compositores Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas. Na estreia do veterano carnavalesco Renato Lage, o enredo do Tuiuti é sobre Hilária Batista da Silva, a baiana Tia Ciata, matriarca do samba e dos primórdios da Praça Onze. Nove vezes campeão Em Madureira, a Portela consagrou a parceria de Wanderley Monteiro, maior vencedor de sambas na escola: esta foi a nona vez. Integrante da Velha Guarda desde o ano passado, Wanderley se juntou a seis parceiros para compor sua homenagem ao baluarte Mestre Monarco (1933-2021), grande nome e, agora, enredo da agremiação. — Ganhar um samba falando de Monarco e estando na Velha Guarda é representá-la duas vezes dentro do enredo; isso é importante demais — comemora Wanderley. No Palácio do Samba, sede da Mangueira, Daniela Mercury foi pé-quente: coube à cantora baiana defender o samba eleito. Ainda no sábado, em Padre Miguel, o anúncio da escolha da parceria de Paulo César Feital com cinco compositores foi seguido por festa até o amanhecer. O samba-enredo embalará desfile com exaltação da América Latina, em ano de mudanças na Mocidade. A escola passou por troca no posto de rainha de bateria, com Gaby Mendes sucedendo Fabíola Andrade; além de novos carnavalesco, intérprete e porta-bandeira: Jack Vasconcelos, Evandro Malandro e Raphaela Theodoro, respectivamente. Nesta semana tem mais. A Beija-Flor inicia os trabalhos na quinta-feira, quando anunciará sua escolha para o desfile de 2027. O enredo será sobre a pajé Zeneida Lima, velha conhecida dos nilopolitanos: em 1998, o desfile campeão sobre o mundo místico dos Caruanas foi inspirado na biografia da marajoara. — Os sambas finalistas têm aquela força nilopolitana, algo que nós, da equipe de criação, pedimos muito. Pedimos aos compositores que mantivessem aquele “bate no peito”, aquela força que o samba da Beija-Flor tem. Estamos com a expectativa alta, tenho certeza de que vamos ter um dos melhores sambas da safra — aposta o enredista Bruno Laurato, que recebe mensagens de Dona Zeneida opinando sobre os sambas. A final da Vila Isabel acontece no dia seguinte: o tema para o enredo sobre o livro “Torto Arado”, de Itamar Vieira Júnior, será anunciado na sexta-feira. Já o sábado será de dose dupla. A partir das 20h30, o Salgueiro — que homenageará Xica da Silva, personagem histórica celebrada em desfile campeão da própria academia do samba, de 1963 — protagoniza sua final. Às 22h, é a vez da Unidos da Tijuca, que levará para a Sapucaí enredo inspirado no livro “A cabeça do santo”, de Socorro Acioli. As quatro restantes No próximo dia 18, a União de Maricá, estreante do Grupo Especial, escolhe o samba que dará o tom do desfile sobre o antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997). Na mesma data, a Imperatriz Leopoldinense — que aposta em enredo sobre uma boneca sagrada que passou 30 anos desaparecida em Pernambuco — realizará a sua final. A atual campeã Viradouro, que tem os griôs como enredo, é a penúltima a definir seu samba, em 19 de setembro. E a “saideira”, no dia seguinte, caberá à Grande Rio, que contará na Avenida a trajetória de ex-escravizados em seu retorno ao continente africano e já anunciou sua nova rainha de bateria: a cantora Anitta. Ouça os sambas já escolhidos Mangueira Mocidade Portela Paraíso do Tuiuti