Cenário de crescimento de 2,3% para 2026 está sendo revisado para baixo, mas novo número deve ficar ao redor de 2%, indica o subsecretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Rafael Leão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rafael Leão, subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Fazenda — Foto: Divulgação/MF A desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre foi mais forte do que o esperado pela equipe econômica e indica um cenário de crescimento ao redor de 2% neste ano. O número exato a ser oficialmente projetado ainda está sendo finalizado, segundo disse o subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Fazenda, Rafael Leão. Ele descarta, por enquanto, que a perda de fôlego da atividade esteja evoluindo para uma recessão ou para uma crise de crédito. A previsão oficial do ministério da Fazenda atualmente é de expansão de 2,3% para o PIB de 2026. A secretaria de política econômica precisa revisar suas projeções macroeconômicas para subsidiar a elaboração do relatório bimestral de receitas e despesas, que será divulgado até o dia 24. Leão avalia que a desaceleração em curso reflete em grande medida o aperto monetário, que finalmente começa a aparecer de forma mais clara nos setores mais dependentes dos juros, especialmente no consumo das famílias, no comércio e na indústria. — O crescimento do segundo trimestre foi um pouco menor do que a gente estava esperando, mas compatível com o cenário no temos tem taxa de juros em um patamar bastante restritivo — disse o economista responsável por fazer as principais projeções da secretaria liderada por Débora Freire. Na visão dele, a tendência é que a atividade econômica perca mais fôlego no terceiro trimestre, mas tenha alguma aceleração nos últimos três meses do ano. — No terceiro trimestre, a expectativa é de desaceleração, mas não é algo abrupto. Não vemos uma frenagem na economia, algo como contração, nada disso. E para o quarto trimestre, a gente já espera alguma recuperação, o que deve entrar para terminar no fechamento do PIB até algum carrego (efeito estatístico) um pouco positivo para o ano que vem — afirmou. O subsecretário lembra que no começo do ano o cenário era diferente. — Não havia uma guerra no meio, a expectativa do próprio mercado para esse ano era que o Banco Central fosse mais agressivo no corte de juros, levando a taxa Selic a 12%. Mas isso mudou. Hoje se espera uma Selic terminal maior e aquele impulso que poderia ter um pouco ainda nesse ano acaba sendo deslocado mais para o ano que vem. Para o técnico, a leitura mais correta é que a economia está passando por um processo de acomodação depois de alguns anos de expansão próxima de 3%. E isso ocorre justamente nos setores que mais preocupavam pelo risco de um superaquecimento ou desempenho acima da capacidade da economia, como o consumo das famílias. No trimestre passado, esse indicador caiu 0,4%, sentindo a combinação de juros altos com inflação de alimentos e menor renda disponível das famílias. Apesar de reconhecer uma deterioração no crédito, a SPE não vê uma ruptura nesse segmento. O diagnóstico é que as famílias e empresas sofrem mais com o aumento do custo gerado pela Selic elevada e não por uma explosão do nível de endividamento, que está mais ou menos no mesmo patamar nos últimos três anos. Leão aponta que as concessões de financiamento desaceleraram, mas continuam crescendo e a inadimplência permanece baixa nos segmentos considerados de melhor qualidade, com a piora mais concentrada em áreas específicas, como micro e pequenas empresas e parte do agronegócio. Além disso, lembra, a elevação recente dos calores foi influenciada por mudanças nas regras de contabilização dos créditos, o que, na visão da SPE, recomenda cautela na interpretação de uma deterioração generalizada do sistema financeiro. O economista pondera que tudo isso está em linha com uma política monetária mais apertada, que tem efeitos defasados. A lógica é que a elevação dos juros aumentou a parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas e reduziu a capacidade de consumo das famílias. Sobre a aceleração que ele espera para o fim do ano, há mais de um motivo para esse cenário. — No quarto trimestre você já tem alguns efeitos defasados da própria política monetária começando a entrar. Você ainda tem uma expectativa de que a indústria extrativa continue auxiliando. O fim de ano que para o mercado de trabalho é sazonalmente favorável, o que dá um impulso, segura a renda e isso ajuda — disse. — Não estou falando de uma aceleração estupenda — completou, reforçando que a resiliência do mercado de trabalho e o crescimento da renda funcionam como um colchão para evitar uma queda mais abrupta da demanda. Nesse contexto, e considerando uma continuidade da trajetória de queda gradual dos juros ao longo do tempo, Leão diz que o risco de uma recessão no horizonte tem chance baixa de ocorrer. O técnico da Fazenda comenta ainda que os dados confirmam a leitura que o governo tinha de que as medidas tomadas ao longo do ano não eram tão expansionistas quanto alguns analistas estavam apontando. Mesmo o programa Desenrola, de renegociação de dívidas, parece estar tendo um efeito no curtíssimo prazo de reduzir a renda disponível porque as pessoas passaram a direcionar recursos para pagar as parcelas da dívida renegociada. — Essas medidas foram pensadas setorialmente para coisas muito específicas, mas não visando impulso direto na economia. Acho que isso surpreendeu o mercado, mas a gente já vinha falando isso — salientou. Outro aspecto destacado pelo economista é que o ambiente internacional adverso também tem pesado. Com juros mais altos no mundo, especialmente nos Estados Unidos, há pressão na política monetária local, o que também explica o processo cauteloso de redução da taxa Selic nesse ano. Leão também disse que a SPE deve fazer uma revisão para cima nas projeções de inflação para o próximo ano por conta de choques como o El Niño. Mas não revelou qual seria a tendência.
Fazenda espera nova desaceleração do PIB no 3º trimestre, mas recuperação no fim do ano
Cenário de crescimento de 2,3% para 2026 está sendo revisado para baixo, mas novo número deve ficar ao redor de 2%, indica o subsecretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Rafael Leão







