O rubro-negro será o campeão brasileiro? Impossível dizer. Doze rodadas neste Brasileirão são tempo demais. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Gol de Samuel Lino garantiu a vitória do Flamengo sobre o Remo, em Belém — Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Quando dois times chegam à 26ª rodada do Campeonato Brasileiro separados por um ponto, é justo admitir que os 12 jogos que restam para cada um deles até o fim da corrida são uma eternidade. Tempo suficiente para crescimentos, quedas, oscilações. É exercício de adivinhação tentar dizer, agora, quem será o campeão. Mas uma coisa é o filme completo do Brasileirão, outra é a fotografia do momento. E, hoje, parece claro que o Flamengo, que pela primeira vez terminará uma rodada como líder, joga o melhor futebol. Se estabelecermos um recorte a partir da retomada do torneio após a Copa do Mundo, os números mostram que os rubro-negros ganharam seis dos nove jogos disputados pela competição nacional. Nestas nove partidas, tiveram 74% de aproveitamento. Já o Palmeiras, que jogou oito vezes pelo Brasileiro — o Flamengo devia um jogo contra o Mirassol, realizado no meio da última semana —, ganhou apenas três e sofreu duas derrotas. Ganhou 50% dos pontos que disputou. Mas não se trata apenas de números, mas de sensações e de desempenho. O Flamengo vive o momento da temporada em que seu jogo ofensivo mais parece fluir. Suas vitórias têm sido construídas com mais autoridade, até mesmo com a retomada de um controle de que os torcedores sentiam falta e que era marca do time no ano passado: criar chances e permitir pouco ao adversário. Já o Palmeiras tem sido instável. Por característica, é um time menos criativo do ponto de vista ofensivo, mas tampouco repete a solidez que o marcou em outros momentos. De todo modo, é no jogo com bola que a equipe vem sofrendo mais. Consegue gerar volume a partir dos duelos que vence pelo campo, e assim tenta empurrar o adversário para trás, mas são poucas as combinações, a sensação é de um repertório curto. O Palmeiras ganhou muitos jogos cruzando muitas bolas para a área em temporadas passadas, e não há mal nisso. Mas não tem criado vantagens para executar este tipo de jogada. Contra o Botafogo, ficou com a bola 67% do tempo, mas foram raras as reais situações de gol num jogo em que os alvinegros, em plena crise técnica, também tiveram seus momentos. Ocorre que o time de Rodrigo Bellão terminou o jogo com Júnior Santos, Kadir, Danilo Pereira e Edenílson em seu quarteto ofensivo. Há uma escassez de recursos que faz o Botafogo sofrer na reta final da temporada. Já o Flamengo vive seu melhor momento ofensivo, embora sempre seja bom repetir que este é um retrato do momento num futebol brasileiro em que tudo muda muito rapidamente. Dois traços caracterizam o time de Leonardo Jardim: um deles, a forma como tabela e busca infiltrar pelo meio, algo não tão comum de se ver no futebol atual; outro, as triangulações pelos lados, que podem envolver um dos volantes — ontem Jorginho e Paquetá —, um lateral, um ponta ou um meia. No fim, o time busca infiltrar pelo espaço entre lateral e zagueiro do adversário. Talvez o time aposte até demais nas jogadas pelo centro e, por vezes, se ressinta da busca da linha de fundo com um homem mais aberto. De todo modo, em seus melhores momentos, é possível dizer que o Flamengo atual ataca melhor do que o time da temporada passada. No entanto, quando não consegue roubar a bola no ataque, é um time que defende pior quando o faz perto do próprio gol. Então o Flamengo será o campeão brasileiro? Impossível dizer. Porque o risco deste tipo de sentença é enlouquecer a audiência. Na volta da Copa do Mundo, os rubro-negros, que ainda tentavam retomar o ritmo, eram contestados, enquanto as primeiras atuações do Palmeiras eram boas. Quando o alviverde abriu sete pontos antes do Mundial, a montanha que o Flamengo precisava escalar parecia muito íngreme. O momento é rubro-negro, mas 12 rodadas neste Brasileirão são tempo demais. Lições tricolores O sábado mostrou um panorama dos momentos de Fluminense e Vasco. O tricolor, com a formação atual, precisa ter a bola. Sem ela, Hulk e Ganso não são fortes na pressão à saída rival, o que empurra o time para atrás. Com a bola, Ganso ajuda a controlar o jogo, e Hulk trabalha bem como pivô. Mas o time fica carente de presença de área. Acosta, que teve queda de produção, decidiu o jogo atacando a área. É um dilema. Lições vascaínas Já o Vasco repetiu um defeito. O time é mais organizado e sólido para defender, e capaz de gerar volume como no primeiro tempo diante do Flu. E o faz com boa pressão, recuperando a bola no ataque. Mas sofre para transformar domínio em gols ou chances de gol. Seja pela falta de soluções táticas perto da área rival — o trabalho de Pedro Emanuel é recente — ou, especialmente, por questões técnicas dos homens mais ofensivos. Os rumos da carreira Foram só dez minutos de Estêvão contra o Arsenal e um grande lance que quase mudou o placar. Mas a luta para jogar mais sob Xabi Alonso reflete o drama de um país exportador como o Brasil. Ter estrelas jovens em grandes ligas é bom, mas o efeito colateral é uma dura disputa por espaço numa fase crucial da carreira. No Chelsea, Xabi usa Estêvão pisando a linha lateral, bem aberto. Mas ele é capaz de ser mais influente do que isso.