Maya Massafera voltou a chamar atenção nas redes sociais ao compartilhar a realização de um procedimento estético pouco depois de relatar um susto relacionado à saúde. A influenciadora mostrou aplicações de ácido hialurônico nos glúteos e nas pernas após contar aos seguidores que havia passado por uma investigação médica que inicialmente despertou preocupação com a possibilidade de um problema vascular. O caso levantou uma dúvida que vai além da decisão individual: depois de uma intercorrência ou de uma investigação recente, quando é seguro realizar um procedimento que pode ser adiado? A situação de Maya chegou a repercutir nas redes sociais como um possível "princípio de AVC", expressão que ela esclareceu posteriormente não corresponder ao diagnóstico. Segundo a influenciadora, ela não sofreu um acidente vascular cerebral. O alerta surgiu após alterações nos níveis de colesterol levarem seu médico a solicitar exames para avaliar o quadro. Maya também contou que passou por mudanças em seu tratamento hormonal e afirmou que, após acompanhamento, conseguiu controlar os índices de colesterol. Pelas informações compartilhadas publicamente, porém, não é possível saber quais foram os exames realizados, o que motivou a preocupação inicial ou quais orientações médicas recebeu antes de realizar as aplicações. E é justamente aí que está o ponto central. Não existe um intervalo de tempo universal capaz de determinar quando uma pessoa está pronta para se submeter novamente a uma intervenção eletiva. A resposta depende do que motivou a investigação inicial, dos resultados encontrados e da condição clínica de cada paciente. Para o cardiologista Daniel Petlik, quando há uma suspeita recente relacionada à saúde cardiovascular ou neurológica, o mais importante é entender completamente o que aconteceu antes de considerar procedimentos que não precisam ser realizados imediatamente. "Mesmo que posteriormente um AVC seja descartado, é preciso compreender por que aquela hipótese surgiu, quais fatores de risco foram identificados e se o paciente está clinicamente estável. Procedimentos eletivos podem ser adiados até que esse cenário esteja bem definido", explica. Colesterol alto nem sempre dá sinais No relato de Maya, as alterações no colesterol foram um dos pontos que motivaram o acompanhamento médico. A endocrinologista Patricia Gracitelli explica que mudanças no perfil lipídico costumam ser silenciosas e, por isso, nem sempre são percebidas. "O colesterol alto pode não provocar nenhum sintoma. A pessoa pode se sentir bem e, ainda assim, apresentar alterações que precisam de acompanhamento. Quando o LDL elevado está associado a outros fatores, como hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade ou histórico familiar, o risco cardiovascular deve ser analisado de forma individualizada. Não se trata apenas de observar um número isolado no exame", afirma. Segundo a especialista, a prevenção é parte importante desse cuidado justamente porque alterações metabólicas podem se desenvolver durante anos sem manifestações perceptíveis. Colesterol, glicemia e pressão arterial, entre outros indicadores, devem ser acompanhados de acordo com o histórico e as características de cada pessoa. O mesmo vale para pacientes que fazem terapias hormonais. Patricia ressalta que isso não significa que esses tratamentos provoquem, necessariamente, eventos cardiovasculares, mas que a indicação e o acompanhamento precisam levar em conta uma série de fatores. "Terapia hormonal não deve ser conduzida de forma genérica. É preciso considerar dose, via de administração, perfil metabólico, histórico clínico e fatores de risco. Quando surge alguma alteração durante o tratamento, cabe ao médico investigar o quadro e avaliar se é necessário fazer ajustes", diz. Por que não existe 'princípio de AVC'? O caso de Maya também abre espaço para outra discussão. A expressão "princípio de AVC", bastante utilizada de maneira informal, pode minimizar uma situação que exige atenção imediata, segundo o neurologista Frederico M. Haidar Jorge, doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e que atua no Ambulatório de Esclerose Lateral Amiotrófica do Hospital das Clínicas da instituição. "Diante de um sintoma neurológico súbito, não devemos esperar para saber se é algo leve. Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, assimetria facial, alteração repentina da visão, desequilíbrio intenso ou confusão mental exigem atendimento imediato. Em uma suspeita de AVC, o tempo é determinante", esclarece. Mesmo quando o diagnóstico é descartado, isso não significa que a história termina ali. Dependendo do quadro, pode ser necessário investigar o que levou aos sintomas ou à suspeita inicial. "O fato de um AVC ter sido descartado é uma boa notícia, mas é importante compreender o que provocou o episódio. Fatores vasculares, cardíacos e metabólicos podem precisar de acompanhamento, tanto para esclarecer o que aconteceu quanto para prevenir problemas futuros", avalia o neurologista. E quando é possível fazer um procedimento estético? A resposta, segundo os especialistas, não pode ser calculada apenas pelo número de dias. Sentir-se bem novamente ou ter retomado a rotina também não significa, automaticamente, que qualquer intervenção esteja liberada. "Quando alguém passou recentemente por uma intercorrência, realizou exames por uma suspeita cardiovascular ou neurológica ou teve mudanças importantes no tratamento, todas essas informações precisam ser consideradas pelo profissional responsável pelo procedimento. Não existe uma quantidade de dias que determine segurança para todos", destaca Daniel. Frederico reforça que procedimentos eletivos têm justamente uma característica importante: podem esperar quando há alguma questão de saúde que ainda precisa ser esclarecida. "Sentir-se bem é positivo, mas não substitui uma avaliação médica. Principalmente quando houve uma suspeita de evento neurológico ou vascular, é fundamental concluir a investigação e identificar se existem fatores que ainda precisam ser controlados. Quando falamos de uma intervenção que pode ser programada, é possível escolher o momento mais seguro para realizá-la", acrescenta. Maya Massafera: quando é seguro fazer procedimento estético após um susto de saúde? — Foto: Reprodução Instagram No caso de Maya Massafera, não é possível dizer, apenas com base no que foi divulgado nas redes sociais, se ela estava em condições de realizar o procedimento. Para chegar a essa conclusão, seria necessário conhecer o histórico clínico, os resultados dos exames e as recomendações médicas recebidas pela influenciadora. O episódio também chama atenção para um cuidado importante em relação aos procedimentos estéticos: mesmo quando são eletivos, eles envolvem questões de saúde que precisam ser avaliadas individualmente. Depois de uma intercorrência ou de uma investigação médica, entender o que aconteceu e confirmar que o quadro está estável deve vir antes de qualquer nova intervenção que possa esperar. "Depois de uma intercorrência ou de uma investigação médica importante, a prioridade é entender o que aconteceu e garantir que exista estabilidade clínica antes de tomar decisões que podem ser adiadas", pontua Daniel. Para Patricia, a orientação é manter o acompanhamento médico sem transformar a situação em motivo para alarmismo. "Conhecer os próprios fatores de risco e manter os exames em dia permite tomar decisões mais seguras, tanto em relação aos tratamentos médicos quanto aos procedimentos eletivos", ressalta.
Maya Massafera faz procedimento estético após susto de saúde: quando é seguro?
Após alterações no colesterol e mudanças no tratamento hormonal, influenciadora voltou à rotina de cuidados estéticos; médicos explicam quais fatores devem ser considerados






