O couro cabeludo exposto exige atenção específica com hidratação, limpeza e, principalmente, proteção contra o sol 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Yago Rodrigues, de 30 anos, começou a ficar calvo e perder fios de cabelo aos 16 anos — Foto: Alexandre Cassiano A calvície masculina, também chamada de alopecia androgenética, é uma condição comum. De acordo com a médica Mariana Razé, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, com especialização em tricologia, 50% dos homens serão calvos em algum momento da vida. Para muitos homens, assumir a careca faz parte do processo de envelhecimento e identidade. Mas o fim dos fios não significa abandonar os cuidados. Especialistas alertam que o couro cabeludo exposto exige atenção específica com hidratação, limpeza e, principalmente, proteção contra o sol. Homens com pouco ou nenhum cabelo ficam mais suscetíveis a queimaduras solares, ressecamento, irritações e até câncer de pele na região da cabeça. — É muito comum surgir lesões pré-neoplásicas e neoplásicas no couro cabeludo. Justamente porque ele é menos protegido e muito exposto à radiação ultravioleta — diz a dermatologista Sylvia Ypiranga, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional São Paulo. A boa notícia é que medidas simples ajudam a manter a pele saudável e confortável. A boa notícia é que medidas simples ajudam a manter a pele saudável e confortável. Yago Rodrigues, de 30 anos, começou a ficar calvo e perder fios de cabelo aos 16 anos. E logo decidiu raspar a cabeça, pois não estava gostando do visual com as entradas. O desenvolvedor de sistemas conta que quando os fios estão longos, costuma utilizar um aparador para raspar a cabeça. — Em seguida uso uma simples lâmina com espuma de barbear ou uma navalha, mas, preciso ter mais cuidado. E, às vezes, utilizo um shaver (barbeador de acabamento) para remover os fios menores que a máquina convencional não tira. Acho bem mais prático e menos perigoso do que a lâmina, além de não depender da espuma. Sempre passo um creme hidratante para suavizar a careca após raspar e, dependendo, também faço um pequeno polimento para ficar bem brilhante. Antes, ele assume que não cuidava tanto dos cabelos. — Quando tinha cabelo eu não cuidava tanto, não me importava muito. Só comecei a ter cuidado depois de mais velho mesmo, por conta da careca e da pele que ficou mais sensível. Yago criou uma rotina com diversos produtos em diferentes horas do dia para manter a careca sempre saudável e bonita. — Para a limpeza diária, uso shampoo anti-oleosidade, que não irrite a pele. Gosto bastante dos neutros. Além disso, aplico protetor solar diariamente, sempre de um fator FPS bem alto. Passo na parte da manhã, antes de sair para o trabalho. Ao final do dia, uso hidratante para melhorar a questão da oleosidade — conta. — Também compro cremes para tirar o brilho da careca, para poder mudar um pouco o visual. E uso alguns balms para reduzir alguma irritação e hidratar ainda mais a pele. Confira os principais cuidados recomendados pelos dermatologistas: Protetor solar é indispensável O couro cabeludo careca recebe incidência direta dos raios ultravioleta. Por isso, o uso diário de protetor solar deve entrar na rotina — inclusive em dias nublados e nas estações mais frias. Especialistas recomendam filtros com FPS 30 ou superior, reaplicados ao longo do dia em caso de exposição prolongada ao sol. Bonés e chapéus também ajudam na proteção, especialmente em atividades ao ar livre. — A pessoa que tem calvície tem que considerar a área do couro cabeludo como a área do corpo do rosto. Então, a gente precisa fazer fotoproteção em toda a época do ano — diz Sylvia. — Como proteção física, eu sempre recomendo o chapéu porque ele protege também a orelha, a nuca e até um pouco do colo. E alguns ainda têm fator de proteção solar. Além de reduzir o risco de queimaduras e envelhecimento precoce da pele, a proteção solar ajuda a prevenir lesões pré-cancerígenas e câncer de pele. O filtro solar pode ser o mesmo utilizado no rosto ou no corpo. Mas para aqueles que ainda têm um pouco de cabelo na região, o protetor solar em creme pode deixar os fios um pouco emplastados. Para evitar que isso aconteça, as versões para pele oleosa ou em veículos mais finos, como loções, soluções ou spray aquoso, são boas opções. Um fator importante a ser considerado é que o protetor solar para o couro cabeludo não deve ser aquele utilizado para os fios. — Esses produtos não dão a proteção que a gente precisa no couro cabeludo — pontua Sylvia. Limpeza suave evita irritações Mesmo sem cabelo, o couro cabeludo continua produzindo oleosidade e suor. A higienização diária ajuda a evitar acúmulo de resíduos e irritações. O uso do sabonete não é contraindicado, mas dependendo do tipo, ele pode causar ressecamento. — O ideal é lavar com shampoo, igual lavamos o cabelo. De preferência, usar um shampoo para pele mais sensível porque a pele fica um pouco mais exposta e o sabonete acaba ressecando mais — explica Mariana. Para quem quer continuar com o sabonete, opte por um mais suave e não passe em excesso. A água muito quente também propicia o ressecamento não só do couro cabeludo, mas da pele como um todo. Um banho morno seria o mais adequado. Após o barbear da cabeça, lavar a região com água morna e aplicar um hidratante leve pode ajudar a reduzir vermelhidão e sensibilidade. Hidratação também é importante Sem a proteção natural dos fios, a pele da cabeça tende a perder mais água. Isso pode causar sensação de repuxamento, coceira e aspecto esbranquiçado. Passar hidratante no local ajuda a evitar que isso aconteça. — O ideal é um hidratante para o seu tipo de pele. Por exemplo, se a pessoa tem a pele mais oleosa, pode usar o mesmo hidratante do rosto no couro cabeludo. Se a pele for mais seca, poderia usar até o hidratante do corpo, por exemplo. O ideal é ter esse cuidado tanto no inverno quanto no verão porque a pele precisa realmente de hidratação — diz Mariana. Atenção ao barbear Muitos homens mantêm a careca com lâminas ou barbeadores elétricos, mas isso aumenta o risco de foliculite, que é uma inflamação do pelo que parece uma acne na cabeça. Para evitar que isso aconteça, o ideal seria raspar numa máquina pelo menos três ou cortar com tesoura. Mas isso também deixa a careca mais aparente. Para quem quer continuar raspando totalmente, mas tem muita foliculite, existem medicações e produtos à base de ácido salicílico que conseguem melhorar a inflamação mais rapidamente. Manchas e feridas Homens com careca devem observar regularmente o couro cabeludo em busca de pintas novas, manchas ásperas, feridas que não cicatrizam ou áreas avermelhadas. — Na presença de casquinhas na careca ou até mesmo formação de lesões, sejam aquelas que parecem umas espinha ou que não cicatrizam, ou lesões escuras, precisa muito procurar um dermatologista. Essa é considerada uma área de alto risco de recidiva. Isso exige cuidados precoces e uma intervenção apurada para o tratamento e prevenção de câncer de pele — orienta Sylvia. Consultas periódicas com dermatologista são recomendadas, especialmente para pessoas com histórico de câncer de pele ou alta exposição solar. *Estagiária sob supervisão de Giulia Vidale