No futuro próximo, a IA (inteligência artificial) produzirá uma abundância tão grande de bens e serviços que levará à deflação. Na verdade, dentro de dez anos, seu dinheiro terá perdido o sentido porque "qualquer pessoa poderá ter qualquer coisa que consiga imaginar". É o que diz Elon Musk, o homem mais rico do mundo.

Por enquanto, porém, as coisas estão caminhando na direção oposta. As chamadas hyperscalers (em tradução livre: hiperescalador) —grandes empresas de computação em nuvem— estão gastando somas enormes para estocar os recursos escassos usados no treinamento e na operação de sistemas de IA. Isso está provocando inflação.

Os data centers consomem quantidades gigantescas de HBM (Memória de Alta Largura de Banda), que permite aos processadores operar em alta velocidade, e de memória flash, usada em alguns tipos de armazenamento. Os fabricantes migraram para esse mercado lucrativo, deslocando a produção da tradicional DRAM (Memória Dinâmica de Acesso Aleatório), usada em dispositivos eletrônicos de consumo.

Duas das três grandes fabricantes de HBM são sul-coreanas —Samsung e SK Hynix. Desde setembro de 2025, os preços de fábrica no país subiram 445% para DRAM e 244% para memória flash, segundo índices de preços ao produtor. Esse aumento está sendo repassado para outros dispositivos que utilizam esses componentes, como celulares e laptops.