Deputada diz que foi cercada por três homens e conseguiu fugir após motorista parar para ajudá-la; Polícia Civil abriu investigação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Duda Salabert (PSOL) e Felipe Gomes (PSOL) durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira após sofrerem agressões durante durante fiscalização em Minas Gerais. — Foto: Divulgação/Cadu Passos A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) afirmou ter sido perseguida, ameaçada de morte e agredida por três homens durante uma fiscalização de uma possível extração ilegal de minério nas proximidades da MG-356, na Serra do Curral, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O episódio ocorreu na madrugada desta sexta-feira. Candidata à reeleição, a parlamentar classificou o caso como uma tentativa de homicídio. Em entrevista coletiva, Duda contou que foi avisada sobre a possível atividade irregular pelo assessor Felipe Gomes, de 44 anos, candidato a deputado estadual, que a acompanhava no momento. Segundo a deputada, os dois pararam o carro após ouvirem o barulho de uma retroescavadeira e desceram para verificar de onde vinha o som. — Eu e Felipe descemos uns 70 ou 80 metros para tentar identificar de onde vinha o som. Quando avançamos mais, vimos dois homens atrás de nós — afirmou. Duda disse ter suspeitado que os homens estivessem ligados à mineração ilegal e começou a correr. Durante a fuga, caiu e foi socorrida pelo assessor. Nesse momento, segundo ela, um dos homens pediu ao outro que pegasse um objeto para agredi-los. — O Felipe veio me ajudar, e um dos criminosos disse para o outro: “Pega um cano aí, pega um ferro”. Naquele momento, eu falei: “Eu vou morrer, vou morrer” — relatou. A parlamentar afirmou que os homens os alcançaram, seguraram os dois e tentaram levá-los para outra área. Na esperança de que se tratasse apenas de um assalto, Duda entregou o celular a um deles. — Eles chegaram até nós, nos seguraram e disseram: “Nós pegamos vocês”. Peguei o meu celular e entreguei, na esperança de que fosse somente um assalto. Mas ele disse: “Não, nós vamos resolver isso lá dentro”, e começaram a nos puxar. Nesse momento, chegou um terceiro homem e nos cercou — disse. Segundo Duda, um dos homens manteve a mão por dentro da blusa durante a abordagem. Ela ressaltou, porém, que não pode afirmar que ele estivesse armado. Felipe contou que foi derrubado por dois dos agressores e atingido com socos e chutes na cabeça e em outras partes do corpo. Segundo o assessor, os homens repetiram durante a ação: “Nós vamos te matar”. Inquérito das fake news, 'resposta rigorosa' e reforma do Judiciário: os recados de Lula e Fachin sobre a crise no STF Um dos agressores também teria perguntado a Duda por que ela “insistia” em realizar aquele tipo de ação. Para a parlamentar, a frase pode indicar que o homem sabia quem ela era e conhecia sua atuação contra a mineração ilegal. — “Por que você insiste em fazer isso?”, ele perguntou — afirmou Duda. A deputada conseguiu escapar ao pular um barranco em direção à MG-356. Ao alcançar a rodovia, pediu ajuda a um motorista que dirigia um carro branco. O veículo parou cerca de 30 metros à frente e acionou o pisca-alerta, o que, na avaliação dela, fez os agressores interromperem a perseguição. — Tenho total certeza de que foi esse carro que salvou a nossa vida — declarou. Após deixar o local, Duda foi encaminhada ao Hospital Mater Dei. Ela relatou ter sofrido um deslocamento no ombro e ferimentos na perna, além de outros machucados. O boletim de ocorrência registra escoriações e uma luxação no ombro direito. Felipe retornou posteriormente à área acompanhado de policiais. Segundo ele, foram encontrados no local cerca de dez rádios comunicadores, bases de carregamento, um veículo e um recipiente que aparentava armazenar óleo diesel. O assessor também relatou a presença de uma cadeira em um ponto elevado, que, na avaliação dele, poderia ser usada para monitorar a movimentação no entorno. Duda afirmou que ela e Felipe prestarão novos depoimentos e tentarão obter imagens de câmeras instaladas na região para esclarecer a dinâmica do episódio. A deputada disse ainda ter sido procurada pelas polícias Civil e Federal. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que instaurou um procedimento para investigar o caso e identificar os responsáveis. Segundo a corporação, foram expedidas guias para a realização de exames periciais, e testemunhas serão intimadas. Professora de literatura, ambientalista e ativista pelos direitos humanos, Duda foi eleita vereadora de Belo Horizonte em 2020, com 37.613 votos, então a maior votação já recebida por um candidato à Câmara Municipal da capital mineira. Em 2022, chegou à Câmara dos Deputados com 208.332 votos e tornou-se, ao lado de Erika Hilton (PSOL-SP), uma das primeiras mulheres trans eleitas deputadas federais no Brasil. Idealizadora da ONG Transvest, voltada à formação e ao acolhimento de pessoas trans e travestis, ela deixou o PDT e retornou ao PSOL em março deste ano.
Duda Salabert relata ameaças e agressões durante fiscalização contra mineração em Minas: 'Vou morrer'
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