Entidade europeia busca documentos nos EUA para preparar possível ação criminal na Suíça por plano que previa vender 20% de nova empresa ligada aos direitos comerciais da Copa por US$ 4,2 bilhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da FIFA, Gianni Infantino, durante sua visita ao novo hotel de concentração da Federação Colombiana de Futebol em Barranquilla, Colômbia, em 24 de fevereiro de 2026 — Foto: David Salazar / AFP A crise entre Fifa e Uefa ganhou um novo capítulo e chegou aos tribunais. A entidade que comanda o futebol mundial acusou formalmente a confederação europeia de promover uma "campanha de difamação" contra a instituição e seu presidente, Gianni Infantino. A reação ocorre depois de a Uefa recorrer à Justiça dos Estados Unidos em busca de documentos que pretende utilizar em uma eventual ação criminal na Suíça contra o dirigente. No centro da disputa está o Fifa Forward Enterprise (FFE), projeto idealizado pela gestão de Infantino para criar uma nova estrutura comercial e abrir parte dos negócios da Fifa a investidores privados. O plano previa a venda de uma participação de 20% por US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 22,8 bilhões na cotação atual) e acabou abandonado em julho diante da forte resistência dentro do futebol. A Uefa questiona principalmente a avaliação atribuída ao negócio. Em documentos apresentados nos Estados Unidos, advogados da entidade europeia afirmam que o valor proposto era "absurdamente baixo" e sustentam que a operação poderia ter sido conduzida por um preço abaixo do mercado. A confederação prepara uma possível denúncia na Suíça contra Infantino e eventualmente outros dirigentes e assessores da Fifa por suposta gestão danosa. Para reunir provas, a Uefa recorreu na semana passada a tribunais americanos em busca de documentos e depoimentos de pessoas e empresas envolvidas nas negociações. Entre elas está a Thrive Capital, empresa fundada pelo bilionário Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, e que seria uma das principais investidoras da operação. A ofensiva provocou a reação da Fifa. Em documentos apresentados à Justiça americana, advogados da entidade pedem que os requerimentos sejam rejeitados e afirmam que a iniciativa possui "deficiências legais". A Fifa também argumenta que não existe atualmente uma ação penal aberta contra Infantino na Suíça ou em outra jurisdição que justificaria o acesso ao material solicitado. A entidade foi além e classificou os movimentos da Uefa como parte de uma tentativa deliberada de atingir sua direção. — Embora essas solicitações sejam apresentadas no formato de petições judiciais, com seus cabeçalhos e números de processo, elas nada mais são do que comunicados de imprensa destinados a reforçar a campanha de difamação da Uefa contra a Fifa e sua direção — afirma a entidade nos documentos obtidos pela AFP. A Fifa sustenta ainda que a divulgação das comunicações internas poderia expor informações comerciais confidenciais. Segundo a entidade, a Uefa estaria tentando contornar os mecanismos da Justiça suíça ao recorrer diretamente aos tribunais americanos para obter o material. O órgão comandado por Infantino também contesta a premissa de que o FFE fosse um negócio já fechado. A Fifa afirma que a iniciativa ainda era uma proposta e dependeria da aprovação das associações que integram a entidade antes de ser implementada. Projeto abriu crise contra Infantino O Fifa Forward Enterprise provocou uma das maiores crises políticas da gestão de Infantino. Além da Uefa, a Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se posicionaram contra a maneira como o projeto foi conduzido. As três entidades chegaram a divulgar uma carta conjunta cobrando mudanças na governança da Fifa e uma investigação independente sobre a proposta. O grupo acusou Infantino de agir sem consulta adequada e defendeu que a Fifa volte a funcionar como uma instituição "a serviço do futebol".