Modelo utiliza a chamada 'profundidade recorrente', que pode tornar mais difícil monitorar comportamentos inadequados das máquinas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 OpenAI apresenta GPT-6 Astra, seu novo modelo de linguagem — Foto: Reprodução A OpenAI anuncia nesta quinta (3) sua nova inteligência artificial (IA) fronteira, batizada de GPT-6 Astra. Nos últimos dias, o modelo causou preocupações em especialistas de cibersegurança por usar uma técnica de raciocínio chamada “profundidade recorrente”, que torna mais opaco o raciocínio das máquinas. Pelas palavras de Greg Brockman, presidente da OpenAI, o Astra realmente deveria ser olhado de perto. Em entrevista com jornalistas nesta quinta, ele afirmou que o novo modelo inaugura a era da inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) — o conceito é amplo e não tem consenso na indústria, mas indica um sistema com capacidade sobrehumana. A OpenAI frequentemente é criticada por supostamente exagerar no uso do termo. Nesta quinta, ele disse: "Não é descabido sentir que estamos agora na era da AGI. Acho que daqui uns anos, quando olharmos para trás e perguntarmos 'Quando a AGI foi criada?', acho que será mais ou menos nessa época, talvez seja com base nesse modelo.” Ainda que seja difícil provar o status do novo modelo, a OpenAI afirma que ele quase gabarita alguns dos principais testes padronizados da indústria, como o FrontierMath Tier 4 (aproveitamento de 97.6%), o ARC-AGI (aproveitamento de 98.6%) e o ExploitBench (aproveitamento de 100%). O novo modelo chega para brigar diretamente com o Fable 5.1, da Anthropic, apresentado na terça — assim como o rival, o Astra também tem como um dos focos trabalhos científicos, programação e trabalhos agênticos. O modelo também visa trabalhos profissionais, como desenvolvimento de games, serviços financeiros, análise de dados, engenharia de design e inteligência de negócios. É mais um trunfo da companhia na disputa com a Anthropic por clientes corporativos. Lançado um ano depois da família GPT-5, o Astra deve ser a última família de IAs apresentada antes da oferta inicial de ações (IPO), que deve acontecer no começo de 2027. A companhia entrou com a documentação junto a reguladores americanos no mês de junho e prevê uma avaliação de até US$ 1 trilhão. A companhia de Sam Altman também reforçou a velocidade e a economia do novo modelo, tocando em algumas das principais dúvidas em relação aos modelos mais avançados do mercado. O Astra tem leva cerca de 47% menos tempo por tarefa do que o GPT-5.6 Sol. No teste DeepSWE v1.1, supera o GPT-5.6 Sol com um custo estimado de API por tarefa aproximadamente 57% menor, considerando a configuração de melhor desempenho de cada modelo. O quesito economia ganhou peso com o avanço de modelos chineses de código aberto, que, de modo geral, apresentam uma fração dos preços de modelos proprietários americanos. Segurança e técnica controversa Na divulgação do novo modelo, a OpenAI afirmou que o Astra é seu “modelo mais alinhado até o momento”, ou seja, que compreende a intenção do usuário na execução das tarefas, no respeito aos limites estabelecidos e na comunicação transparente. É uma tentativa de acalmar a opinião pública já que, no começo da semana, a companhia revelou que atrasou o lançamento por considerar que o modelo havia ultrapassado todos os seus limites de cibersegurança. Ou seja, para a OpenAI, o Astra consegue identificar e explorar vulnerabilidades de segurança, mesmo em sistemas extremamente bem protegidos. No relatório do novo modelo, a OpenAI que o modelo gabaritou o teste ExploitBench, que avalia se os modelos são capazes de transformar vulnerabilidades em brechas reais a serem exploradas. O GPT-5.6 tinha taxa de aproveitamento de 5,5%. No teste ExploitGym, o modelo atingiu pontuação de 42,4% contra 30,3% do sucessor usando uma carga menor de informações — o ExploitGym foi teste no qual as IAs da companhia acabaram "escapando" e invadindo a plataforma Hugging Face, no mês passado. A OpenAI afirmou que os recursos podem ajudar profissionais da área a identificar e corrigir vulnerabilidades, ao mesmo tempo em que exigem salvaguardas mais robustas. Por isso, a companhia vai disponibilizar o Astra para parceiros com menos restrições para que possam ser estudados. O restante dos usuários terá acesso nos próximos dias pelos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além de chegar à API da OpenAI e à AWS. Ao falar com a imprensa americana, Mia Glaese, responsável pelos processos de segurança da OpenAI, afirmou que a companhia desenvolveu um novo método de monitoramento dos modelos, que inclui “observação 24 horas por dia, 7 dias por semana, e resposta rápida” para possíveis problemas, notificando os pesquisadores em até 30 minutos. No entanto, a informação revelada pelo site The Informationde que a OpenAI adotou a “profundidade recorrente” como coração do modelo já vinha causando preocupações entre especialistas. Zvi Mowshowitz, veterano do setor, que escreveu que laboratórios de IA precisam ser regulados quanto ao uso de técnicas para evitar uma “corrida ao fundo do poço”. Até aqui, os modelos mais avançados de IA usavam uma técnica conhecida como “Chain of Thought”, que apresenta as etapas sequenciais seguidas pelo modelo ao tentar resolver um problema, o que ajuda também a monitorar comportamentos inadequados dos modelos. Com a profundidade recorrente, o modelo adota uma abordagem menos linear, processando a mesma tarefa várias vezes de forma paralela. O resultado deixa menos rastros legíveis, embaralhando a cadeia de raciocínio. Buck Shlegeris, CEO da empresa Redwood, escreveu que estava extremamente preocupado com a informação de que a OpenAI tinha adotado a profundidade recorrente. No X, Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, tentou acalmar. Ele afirmou que, desde os seus primeiros modelos de raciocínio, a companhia estava empenhada em preservar e utilizar o monitoramento da cadeia de raciocínio das IAs.
OpenAI lança GPT-6 Astra, nova IA de fronteira que usa técnica controversa de raciocínio
Modelo utiliza a chamada 'profundidade recorrente', que pode tornar mais difícil monitorar comportamentos inadequados das máquinas













