Moeda americana cai globalmente com a revisão das apostas para os juros nos EUA, já que chance de alta em setembro diminuiu 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dólar à vista hoje ronda estabilidade, descolado de alívio global; real é uma das piores moedas do dia — Foto: Scott Eells/Bloomberg O dólar à vista opera perto da estabilidade frente ao real na sessão desta quinta-feira (3), descolado da dinâmica observada na maioria dos mercados mais líquidos. Hoje, a moeda americana cai globalmente com a revisão das apostas para os juros nos Estados Unidos, já que a chance de uma alta em setembro diminuiu, embora siga acima de 50%. O real chegou a se valorizar, mas agentes entendem que a incerteza eleitoral impede um movimento mais acentuado no câmbio (que já vinha apreciando e se destacando entre os pares nos últimos dias). Perto das 13h, o dólar à vista era negociado estável (+0,01%), cotado a R$ 5,1091, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,0705 e batido na máxima de R$ 5,1126. Já o euro comercial avançava 0,26%, a R$ 5,9362. Entre as 33 moedas mais líquidas, o real apresentava o terceiro pior desempenho do dia, melhor apenas do que a rupia indiana e o ringgit malaio. Também no horário acima, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos,recuava 0,63%, aos 98,965 pontos. O dólar à vista iniciou o pregão de hoje em queda, mas a desvalorização foi se dissipando ao longo da manhã. A dinâmica que predominou nos negócios globais foi de fraqueza da moeda americana após o diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller adotar tom mais “dovish” (favorável a uma política monetária menos apertada) em entrevista concedida à Reuters. O real, porém, não acompanhou os ventos favoráveis de fora. Operadores de câmbio apontaram que a incerteza envolvendo a corrida eleitoral deve conter um movimento mais brusco do real nos próximos 45 dias até sair o resultado da disputa. O economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, diz em nota que as pesquisas apontando para uma disputa acirrada vem provocando movimentos mais fortes nos ativos brasileiros. Isso porque, segundo ele, “os investidores reavaliam as perspectivas para a política econômica no período pós-eleitoral.” O economista aponta, ainda, que as preocupações fiscais também continuam presentes como pano de fundo, limitando o espaço para uma recuperação sustentada do real, apesar da sólida posição externa do Brasil. “Daqui para frente, o ‘carry’ provavelmente continuará dando suporte ao real nos próximos meses, mas o aumento da incerteza política deverá limitar uma valorização adicional da moeda. Esperamos que a volatilidade aumente nas próximas semanas, à medida que as eleições se aproximam, e que os fatores domésticos se sobreponham aos fatores globais na determinação dos movimentos do mercado.”