Monitoramento do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) revela que o jovem chegou a torturar de cinco a seis animais por madrugada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Adolescente de 15 anos torturava cinco a seis animais por madrugada no Discord — Foto: Freepik Um adolescente de 15 anos foi apreendido em São Luís, no Maranhão, nesta quarta-feira (2), suspeito de torturar mais de 200 gatos em transmissões ao vivo em plataformas digitais. Segundo o UOL, os crimes teriam ocorrido no Discord. De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o jovem chegou a torturar de cinco a seis animais em uma única madrugada. Ele será transferido para a capital paulista, onde deverá cumprir medida de internação. O monitoramento realizado pelo Noad durou seis meses e levou à localização do jovem, que também é acusado de induzir vítimas à automutilação. A atuação do núcleo ocorre em um contexto de críticas à resposta do Discord a pedidos de autoridades brasileiras para remoção de conteúdos criminosos. A investigação sobre o adolescente foi conduzida em conjunto com a Polícia Federal (PF) e resultou na expedição dos mandados de busca e apreensão e do pedido de internação pela Justiça. Durante a operação, um celular também foi apreendido. Discord demora até 17 dias para responder a pedidos emergenciais Segundo a Folha de S.Paulo, um relatório elaborado pelo Noad aponta que a plataforma levou até 17 dias para responder a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo. Os investigadores analisaram 63 comunicações emergenciais e requisições enviadas ao Discord entre maio de 2025 e janeiro de 2026, envolvendo casos como incitação ao suicídio, tortura de animais, vazamento de imagens íntimas de menores e ataques a escolas. O documento aponta ainda que, em julho de 2025, um pedido para retirar uma sala dedicada à matança de gatos demorou 16 dias e 18 horas para ser respondido — e terminou com a recusa da plataforma. Em outro caso, um alerta sobre maus-tratos transmitidos ao vivo, enviado em 4 de agosto, ainda não havia recebido resposta na data registrada no relatório. O GLOBO procurou a assessoria de comunicação do Discord, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação. O que é zoosadismo Zoosadismo é a prática de causar sofrimento, dor ou morte a animais com o objetivo de obter prazer ou satisfação com esse sofrimento. O comportamento pode envolver tortura, maus-tratos e violência contra animais. A prática criminosa virou um mercado paralelo em plataformas como Discord e Telegram, sem que a lei que trata de maus-tratos consiga garantir punição, seja por ser branda ou por não abarcar a comercialização. Segundo Ana Paula de Vasconcelos, diretora jurídica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, há recorrência no uso de coelhos, patos, pintinhos e ratos de laboratório na produção desses vídeos. Em geral, são filhotes, que, segundo ela, são escolhidos por oferecerem menor resistência e por serem vendidos sem fiscalização em agropecuárias. Gatos também são alvos frequentes desses grupos, em razão da superpopulação. Crescimento de 200% em zoosadismo O caso também chama atenção para o aumento de ocorrências relacionadas ao zoosadismo em ambientes virtuais. Segundo dados do Noad, houve crescimento de 200% nos registros desse tipo de ocorrência entre 2025 e 2026. Desde a criação do núcleo, em novembro de 2024, cerca de 1,2 mil animais foram salvos em ações de investigação e prevenção. Entre eles estão cães, gatos e porquinhos-da-índia, a maioria filhotes. No mesmo período, o trabalho do Noad também resultou no resgate de 411 vítimas de estupros, automutilação e instigação ao suicídio em plataformas digitais. Debate no Congresso Ao menos quatro projetos de lei que tramitam no Congresso buscam atualizar a Lei de Crimes Ambientais, de 1998, em especial o artigo que trata de maus-tratos contra animais. Todos apontam que a legislação atual é defasada e pretendem garantir tratamento igual a todas as espécies e/ou responsabilizar a produção, divulgação e monetização de conteúdo com violência contra animais. Já aprovado na Comissão de Meio Ambiente do Senado, o PL do senador Confúcio Moura (MDB-RO) prevê pena de um a quatro anos de prisão para violência contra qualquer animal e aumento de pena para aqueles casos em que a prática resulta em morte. Uma proposta da deputada federal Rosana Valle (PL-SP) pretende criar agravantes na pena para aqueles que “visam ao lucro ou produzem conteúdo para divulgar violência com animais”. O projeto não inclui responsabilização para quem consome o material, mas, segundo a deputada, é “viável” que as big techs sejam enquadradas no crime em caso de aprovação da lei. Outro projeto, de autoria da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), propõe que quem integra, administra ou participa “de grupo, rede ou comunidade, física ou virtual, destinada à prática ou difusão” deste tipo de atividade seja penalizado. Já o do deputado Delegado Matheus Loiola (União-PR) prevê pena para produção e divulgação, com uma ressalva para não incriminar aqueles que registrarem ou divulgarem o material com finalidade exclusiva de denúncia.
Adolescente é apreendido suspeito de torturar mais de 200 gatos em lives no Discord
Monitoramento do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) revela que o jovem chegou a torturar de cinco a seis animais por madrugada






