Deputado federal e ex-prefeito do Rio, nome do Republicanos aposta no voto evangélico e evita atritos com o STF em busca de uma das vagas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Deputado federal Marcelo Crivella em entrevista ao colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco. — Foto: Domingos Peixoto / Agência Globo A partir desta quinta-feira, o GLOBO mostra as ideias e propostas dos principais candidatos às duas vagas para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro. Em busca de uma das cadeiras, o deputado federal e ex-prefeito carioca Marcelo Crivella (Republicanos) aposta no voto evangélico e evita atritos com o Supremo Tribunal Federal (STF). Assista à entrevista: Veja os principais pontos da entrevista: O senhor quis concorrer ao Senado em 2022, mas o Republicanos não deixou. O que mudou? Minhas questões jurídicas se esclareceram. Então o partido disse: “O Crivella, livre de todas as acusações, será um bom candidato”. O senhor foi ministro de Dilma. Depois se aproximou de Bolsonaro. Se eleito, será um senador lulista ou bolsonarista? Na época em que éramos lulistas, o Zé Alencar era vice-presidente. Então eu digo que éramos zezistas, alencarzistas. Tinha grande admiração pelo Zé Alencar. Assim o Lula ganhou a eleição: capital e trabalho. Depois houve radicalizações. Meu mandato será sem radicalismo. Procurar a solução pacífica para as controvérsias é a alma da política. Se o presidente Lula se reeleger, o senhor estará na oposição ou no governo? Vai depender das iniciativas. Há um setor do PT que me assusta. Digo isso porque já estive muito próximo. Eles colocam a família tradicional numa lata de conserva. Deputado federal Marcelo Crivella em entrevista ao colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco. — Foto: Domingos Peixoto / Agência Globo Mas não foi exatamente por isso que o senhor apoiou o impeachment de Dilma... Não. Ali foi o partido que fechou questão. Sei que ela é honesta. Pedi licença, o outro assumiu (o suplente Eduardo Lopes, que votou a favor do impeachment). O bolsonarismo já tem dois candidatos ao Senado pelo PL. Como concorrer com eles? Muitos bolsonaristas do Rio são evangélicos. Eles se identificam comigo pela história de missionário, pelo trabalho no Nordeste e pelos mandatos. Depois de quatro anos, aprovei a PEC da Imunidade Tributária. Fui autor na Câmara e gostaria de estar no Senado para explicar o benefício que o Brasil terá quando deixar de cobrar imposto das igrejas. Quem tem que pagar é o padre, o pastor. O dinheiro colocado no altar não deve pagar. O senhor é bispo da Universal. Essa PEC não foi uma forma de legislar em causa própria? O benefício é para todas as igrejas: católicas, espíritas... não é só a Universal. As igrejas chegam aonde o Estado não chega. Se as igrejas tiverem mais recursos para creches, asilos, orfanatos, escolas... O senhor propôs anistia a todos os envolvidos no 8 de Janeiro. O Congresso só aprovou a redução de penas. Ficou satisfeito? Política é acordo. Aprovamos na Câmara e no Senado, o presidente Lula vetou, derrubamos o veto. Foi para o Supremo. Puxa vida, caiu no Alexandre de Moraes, que até hoje não colocou em pauta. Isso não está certo. O STF condenou ex-presidente e generais que tramaram golpe. Eles merecem ficar impunes? Não. Deveriam responder pela tentativa, não pelo crime. Uma coisa é falar, outra é fazer. Tudo bem que houve indícios, confabulações, inconformismos. Mas não se deu um tiro. Tenho um projeto para que os ministros do Supremo voltem ao Senado a cada quatro anos para uma nova sabatina. Já imaginou? Nunca mais o STF condenaria um político... Talvez tenha um efeito colateral. Mas também não teríamos uma condenação de 15 anos para quem escreveu com batom na estátua. Diz a Bíblia: “Com o rigor que julgares sereis julgados”. Hoje o ministro Alexandre está sofrendo um julgamento pesado. O senhor apoia o impeachment de ministros? Não tenho essa bandeira. Temos que buscar soluções pacíficas para as controvérsias. Se um ministro tiver que responder, que responda no Supremo. Se não, aí sim é o caso de ir ao Senado. O Senado, como casa revisora, tem a natureza de pacificar, de acalmar. O senhor vive num condomínio de alto padrão na Barra, mas declarou patrimônio de apenas R$ 5.084,74 numa aplicação. Por quê? Realmente não tenho bens. Doei tudo para construir a fazenda Nova Canaã, na Bahia. Naquele período de controvérsias, minha esposa disse: “Você já fez casa para muita gente, mas não temos onde morar”. Juntamos dinheiro e compramos este apartamento na Península, que não é meu, é dela. O senhor foi preso no fim do mandato de prefeito, acusado de chefiar um ‘QG da Propina’. Agora o caso foi arquivado. Como vê o episódio? Foram momentos dramáticos. Perdi a eleição. Perdi minha mãe. Passei a maior vergonha da minha vida. Você não sabe como é difícil sair na rua e ouvir: “Ladrão! Ladrão!”. Hoje, graças a Deus, ficamos livres disso. Ainda é xingado na rua? Hoje, não. Mas naquela época era duro sair na rua, no mercado. Todo mundo dizia: “Que vergonha, Crivella! Você não é crente?”. É o preço que se paga para se alcançar um lugar no coração do povo. Uma passagem da Bíblia diz que você não deve fazer sua casa em cima da areia. Se fizer em cima da pedra, a tempestade passa e você continua em pé. Olha o que aconteceu comigo: a tempestade passou, e agora estou aí de volta.