Escuta, Frisson, Patuá e mais: um roteiro de casas para ouvir e dançar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Frisson abriu no início de agosto e já faz sucesso, em Botafogo — Foto: Alexandre Cassiano Chovia, e da calçada, pela fachada envidraçada, dava para ver o agito que rolava dentro do Frisson, bar de vinil aberto na primeira semana de agosto, em Botafogo. Da porta para dentro não há tempo ruim. Nem no Escuta, inaugurado semana passada, ali pertinho. Outra novidade para “ouvidos famintos e corpos curiosos” — como diz o lema da casa—, o bar de três andares já tem fila na porta. Os dois são os mais novos e concorridos exemplos da nova onda (sonora) de estabelecimentos cariocas que têm a discotecagem em vinil como atração principal — seja numa calçada da Saúde, com cerveja no copo de plástico, ou num ambiente confortável com comida japonesa em Copacabana. Frisson. Bar com pista de dança, loja de discos no mezanino, em Botafogo — Foto: Alexandre Cassiano Instalado num casarão de 1938 e lotado desde a inauguração, o Frisson tem pista de dança no térreo — cujo som, naquela sexta chuvosa, era comandado pela DJ Sô Lyma — e loja de vinis Rio Records no mezanino. A curadoria reúne álbuns de Sade, Elvis, Gal, Ney, Milton... — O vinil nunca saiu totalmente de moda e há tempos faz sucesso nas feiras da cidade. Mas ouvi-los num espaço com outras pessoas é ainda melhor. A conectividade da música é o que faz a parada acontecer— diz o engenheiro Thiago Matheus, que curtia sua primeira noite no Frisson, com três amigos. Parede de discos do Fatchia, com álbuns à venda — Foto: Alexandre Cassiano Na mesma vibe agitada, o Fatchia, na Glória, também exibe sua coleção na estante do primeiro andar, onde as pizzas são saboreadas no ritmo da música. No segundo, o espaço é livre para dançar ao lado do DJ, sempre tocando vinil. Há outros bares com clima dançante que têm dado o que falar: o Sobraderia, na Rua Morais e Vale, tem noite de disco toda sexta, com ritmos do reggae ao axé; e o Macuna Arte, em Botafogo, com DJs de vinil ao menos uma vez por semana, hambúrgueres e drinques. — Eu já comecei com toca-discos, e esse novo boom me deixou ainda mais empolgada. A galera quer ver, entender como se faz, como é o trabalho do DJ — diz Sô Lyma, especialista em discotecagem com vinil. — A cultura está sempre se repaginando, na moda, na arquitetura, e agora, de novo, no vinil. Menos pista, mais escuta Escuta. Aberto semana passada, bar de três andares em Botafogo já tem fila na porta — Foto: Divulgação/Vinicius Rocha A pista de dança não é a única forma de curtir. Há outro estilo em alta, o listening bar — ou bares de escuta, voltados para a audição mais contemplativa, com mais papo e menos furdunço. No Escuta, os três pavimentos agradam aos dois perfis: no primeiro, um bar de escuta faz jus ao nome, com mesas para uma experiência mais tranquila; o segundo andar é um misto de discoteca e loja de discos; o terceiro, um terraço para conversa. Além dos DJs de quinta a domingo (nem sempre em vinil, mas quase sempre), tem noite de discos toda terça-feira com músicas escolhidas pelos clientes a partir de uma seleção de álbuns da casa. [111]. Conversa baixa, conforto e som de alta qualidade — Foto: Divulgação/Rodrigo Azevedo Ainda mais fiel ao conceito de listening bar de vinil, o [111] Music Bar nasceu em novembro de 2025 em Copacabana, fruto de uma parceria entre Menandro Rodrigues (dos restaurantes Haru e Umai) e o DJ Danny Dee, amante dos discos e responsável pela curadoria musical. Montaram um bar para ouvir, não dançar. Ambiente calmo, confortável, com bons coquetéis, clientes sentados. A inspiração são os music bar japoneses, e não foi só isso que veio de lá: grande parte do acervo com mais de dois mil discos, dispostos nas prateleiras da casa, foi prensada no Japão. O sistema de áudio também é gringo: de alta definição, veio da Finlândia. No som, de Daft Punk e Michael Jackson a sucessos japoneses. — Foi difícil criar a cultura de um bar como esse, tranquilo e silencioso, no Rio. Tivemos que orientar o público a ficar sentado, falar baixo — conta o chef, que garante a inspiração japonesa também no menu, com opções de sushi bar e coquetéis nipo-brasileiros. Multiplicação Prainha Discos. Festas ocupam a calçada da Rua Sacadura Cabral — Foto: Alexandre Cassiano A cena ferve, e festas e eventos que giram em torno do vinil só fazem crescer. Logo que abriu, há dois anos, na Rua Sacadura Cabral, a loja Prainha Discos criou um evento de discotecagem na rua, o Vinil da Calçada. Era só às sextas, mas agora rola cinco vezes na semana, de quarta a domingo. Santa Teresa, que já reunia adeptos no Vinil do Mustafá, loja de discos com festas mensais, ganhou há pouco mais de um ano outro point, o espaço Patuá, que vende vinil, arte e café. Desde o início, causou burburinho com seu evento de discotecagem, o Discos & Biritas, que já ocupou outros espaços, como o Parque Glória Maria. A próxima edição será durante o Arte de Portas Abertas, parte da programação da Semana de Arte do Rio. A festa vai fechar a Rua Paschoal Carlos Magno com palco e música 100% em vinil aos sábados e domingos, de 19 a 27 de setembro. Patuá. Evento “Discos & Biritas” lota a loja em Santa Teresa — Foto: Divulgação/Rod Braga Dia 20 de setembro também rola a próxima edição da festa “Só vinil”, que os DJs Markinho Mesquita e Papagaio comandam, uma vez por mês, no Bistrô do MAM. Mesquita, aliás, também discoteca toda quarta, com vitrola, no Eleninha. — Como DJ, vejo na rua que o som dos anos 1980 e 90 chama cada vez mais a geração Z. Você ir a um lugar para ouvir alguém discotecando no vinil gera uma interação diferente, mais artesanal. Nesse mundo de tanta informação e internet, a galera quer conexão real — acredita o DJ Gabriel Marinho, pesquisador e colecionador de vinis que volta e meia toca no Prainha. Ao som das bolachas, passado e presente se encontram na noite carioca. Para ouvir e curtir [111] Music Bar. Rua Raimundo Corrêa 10 (3° andar), Copacabana. Ter a dom, das 19h à 1h. Escuta. Rua General Polidoro 12, Botafogo. Qua e dom, das 18h à 1h. Qui a sáb, das 18h às 2h.Fatchia. Rua Benjamin Constant 8, Glória. Qua e dom, das 19h à meia-noite. Qui a sáb, das 19h à 1h.Frisson. Rua Dezenove de Fevereiro 190, Botafogo. Qua a sáb, das 18h à 1h.Macuna Arte. Rua Fernandes Guimarães 66, Botafogo. Ter, das 17h à meia-noite. Qua a sáb, das 19h às 2h. Dom, das 18h à 1h.Patuá. Rua Paschoal Carlos Magno 103, Santa Teresa. Seg a qui, das 10h às 18h. Sex a dom, das 10h às 20h. Prainha Discos. Rua Sacadura Cabral 10, Praça Mauá. Seg, das 15h à 1h. Ter, das 12h às 22h. Qua, das 12h à meia-noite. Qui e sáb, das 12h à 1h. Sex, das 12h às 2h. Sobraderia. Rua Morais e Vale 24, Glória. Sex, das 20h às 4h. Vinil do Mustafá. Av. Almirante Alexandrino 111, Santa Teresa. Diariamente, das 11h às 19h.
De 'listening bar' a festas na calçada, febre de discotecagem em vinil contagia noite carioca
Escuta, Frisson, Patuá e mais: um roteiro de casas para ouvir e dançar
1,252 words~6 min read






