O ex-banqueiro escreveu que contrato de serviços com o Barci de Moraes, de Viviane Barci, era 'o mais importante' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Daniel Vorcaro, ex-banqueiro — Foto: Ana Paula Paiva/Valor O ex-banqueiro Daniel Vorcaro cobrou urgência no pagamento do escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A reclamação foi feita após funcionários do ex-banqueiro atrasarem o pagamento de uma parcela do contrato com o escritório. Leia mais As mensagens constam em relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao ministro André Mendonça, que é relator do caso Master na Corte. Nesta terça-feira (1º), o magistrado tornou o documento público e pediu a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Em 15 de março de 2024, Vorcaro enviou uma mensagem a Angelo Silva reclamando sobre a falta de pagamento ao escritório Barci de Moraes. O ex-banqueiro escreveu que aquele era o “contrato mais importante que temos. Te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas. Manda pagar agora”. Na sequência, o então dono do Master envia outra mensagem a uma funcionária identificada como “Romy Banco Master”, dizendo que o pagamento à firma não pode “atrasar um dia”, pois “é o pagamento mais importante que temos”. Na sequência, complementa que o pagamento pode ser feito “sem nota [fiscal]” e finalizado posteriormente “do jeito que for”. O ex-banqueiro, então, recebe de Romy um comprovante da transferência de R$ 3,4 milhões, equivalente à parcela mensal prevista no contrato firmado com o escritório. Vorcaro retoma a conversa com Angelo que, por sua vez, afirma que “irá pagar antecipado e depois pegamos a NF [nota fiscal]”. Segundo as investigações, o Master contratou o escritório de Viviane Barci em fevereiro de 2024 para a prestação de serviços judiciais. A acordo comercial previa o pagamento de 36 parcelas mensais e sucessivas de R$ 3 milhões líquidos cada, totalizando R$ 108 milhões. A última parcela, no entanto, seria livre de impostos, o que elevaria o valor para R$ 131 milhões. Os pagamentos foram interrompidos após a prisão de Vorcaro durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Segundo documentos obtidos pela CPI do Crime Organizado, o Master efetivou 22 pagamentos de R$ 3,6 milhões, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação do banco de Vorcaro. De acordo com o relatório divulgado hoje, o documento chegou a ser editado pelo próprio ministro antes de ser assinado pelas partes. Em nota, o escritório afirmou que o setor de compliance pediu ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pela instituição de Daniel Vorcaro, e que, diante da inexistência de previsão de atuação da banca no STF ou qualquer situação de impedimento legal do ministro, o contrato foi assinado e os serviços devidamente prestados.