Ataque foi realizado contra integrantes do Estado-Maior Central, uma dissidência das Farc, e faz parte da política linha-dura adotada por Bogotá 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella fala durante coletiva de imprensa no Palácio de San Carlos, em Bogotá, em 12 de agosto de 2026 — Foto: Esteban Vega La-Rotta/AFP Um bombardeio ordenado pelo governo do presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, matou 20 guerrilheiros de uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na Amazônia colombiana. O ataque, realizado contra integrantes do Estado-Maior Central (EMC), grupo formado por dissidentes que rejeitaram o acordo de paz firmado entre a guerrilha e o governo em 2016, é o mais letal desse tipo em anos, segundo informações divulgadas por Bogotá nesta segunda-feira (31). A operação contra o grupo comandado pelo rebelde mais procurado do país, Iván Mordisco, aconteceu como parte da política de linha-dura contra grupos criminosos promovida por Espriella. Um militar afirmou que este é o terceiro bombardeio do novo governo contra guerrilheiros e o maior desde o governo de Juan Manuel Santos (2010-2018). — Abatemos vinte narcoterroristas, capturamos cinco (...) e resgatamos dois menores — disse o presidente de direita em um vídeo compartilhado no X sobre a ofensiva no departamento de Guaviare. Espriella pretende derrotar grupos ilegais financiados pelo narcotráfico, pela mineração ilegal e pela extorsão por meio de operações militares, incluindo bombardeios, com o apoio de seus aliados Estados Unidos e Israel. O governo de direita matou pelo menos 38 guerrilheiros em suas primeiras semanas. Quatro menores de idade morreram nos dois primeiros bombardeios do novo governo: dois adolescentes de 15 anos e outros dois de 16. As autoridades não informaram se havia menores de idade no ataque aéreo desta segunda-feira. Organizações de defesa dos direitos humanos alertam para o impacto dos bombardeios sobre crianças vítimas de recrutamento em áreas pobres e com presença limitada do Estado. O grupo de Mordisco é apontado como o principal responsável pelo recrutamento de menores, com 40% dos casos, segundo a Defensoria do Povo. Os governos anteriores do esquerdista Gustavo Petro (2022-2026) e do direitista Iván Duque Márquez (2018-2022) também receberam duras críticas pela morte de menores em bombardeios. Perseguição a Mordisco Em meio à pior onda de violência dos últimos anos na Colômbia, os dois últimos presidentes tentaram capturar o líder guerrilheiro Iván Mordisco. O principal líder do EMC, uma das maiores estruturas dissidentes das Farc, permanece escondido em algum lugar da selva colombiana e já foi dado como morto em diversas ocasiões. — Vamos atrás de você, Mordisco (...) vou fazer você pagar por todo o dano que causou à Colômbia — disse Espriella. A Colômbia autorizou, em 12 de agosto, operações conjuntas com os Estados Unidos para combater os grupos insurgentes. O país também ingressou no Escudo das Américas, coalizão de países liderada por Donald Trump para combater o narcotráfico. — Mordisco e aqueles que integram suas estruturas criminosas precisam entender: o Estado não lhes dará trégua — afirmou no X o ministro da Defesa da Colômbia, Jorge Mora, após o último bombardeio. Uma fonte militar afirmou que unidades militares serão enviadas ao local do bombardeio na terça-feira para retirar os corpos. Carro-bomba deixa um morto e 11 feridos Horas antes do bombardeio, um carro-bomba explodiu próximo a uma delegacia em um município colombiano perto da fronteira com a Venezuela. O ataque deixou um civil morto, 11 pessoas feridas e parte do prédio destruída, segundo autoridades locais. Entre os feridos estão dois policiais. Todos receberam atendimento médico. — Um dos agentes sofreu mutilação de um membro inferior, enquanto outro ficou com estilhaços pelo corpo — declarou o coronel Jimmy Balalcázar, comandante da polícia local. Dezenas de pessoas, em motocicletas ou a pé, se aglomeraram no local do atentado, ocorrido perto da meia-noite. O carro ainda estava em chamas, cercado por vidros e muros destruídos, no departamento de Norte de Santander. Segundo a polícia, o veículo havia sido roubado e teve a cor alterada para simular um táxi. Ele transportava cerca de 80 quilos de explosivos, detonados por controle remoto.