Na próxima sexta-feira (4), salvo alguma intercorrência, Giorgia Meloni se tornará a mais longeva líder de um governo italiano em 80 anos. Só por isso, a romana de 49 anos já marcará a turbulenta história política de seu país.

Desde o fim da Segunda Guerra, a Itália teve estonteantes 68 governos —média de cerca de 14 meses para cada um. Com 1.413 dias a serem completados na sexta, Meloni ultrapassa em tempo o segundo governo de Silvio Berlusconi, encerrado em 2005.

Ambos os líderes vêm do mesmo ramo da árvore política italiana, a direita populista que no passado deu ao mundo o fascismo de Benito Mussolini. Por óbvio, são pessoas de outra era, mas a genealogia ideológica é reconhecível.

Meloni, primeira mulher a governar a Itália, apresentava credenciais preocupantes. Seu entorno era formado por radicais xenófobos, e ela mesma já havia elogiado Mussolini em público.

No poder, o discurso se amainou. É certo que mantém itens retóricos da ultradireita, como uma agenda de costumes retrógrada e visões anti-imigratórias, mas pouco disso se tornou práxis.