Você pode livrar-se das longas (e chatas) horas destinadas a preencher a declaração anual do Imposto de Renda (IR).PUBLICIDADEEm declarações recentes, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, avisou que a Receita Federal está trabalhando “a todo vapor” para acabar, em dois anos, com essa burocracia.A Receita já reúne automaticamente as informações financeiras enviadas por bancos, empresas, seguradoras, planos de saúde e cartórios, condição que, em princípio, dispensa a necessidade da declaração de ajuste.Isso não é tão novo. O cruzamento de informações já vem facilitando a fiscalização há anos a ponto de ter possibilitado, já neste 2026, o avanço da declaração pré-preenchida.Cerca de 60% das 47 milhões de declarações do Imposto de Renda enviadas neste ano foram feitas com o modelo pré-preenchido Foto: EBC/ReproduçãoNeste ano, foram enviadas à Receita 47 milhões de declarações. Cerca de 60% delas foram feitas com o uso do modelo da declaração pré-preenchida, em que algumas informações já constaram do formulário destinado ao contribuinte. Mas a conferência, a apresentação de dados faltantes ou eventuais erros de lançamento continuaram de responsabilidade do declarante.PublicidadeIsso não quer dizer que a Receita possa abrir mão da declaração para todos. Uma parcela de contribuintes, especialmente a dos que apresentam situação fiscal ou patrimonial complexa, ainda deverá complementar as informações não obtidas pela Receita. Entram nesse grupo, por exemplo, pessoas com rendimentos sujeitos ao carnê-leão, com patrimônio no exterior, ou com operações que exigem informações adicionais. A advogada tributarista e sócia do escritório Morassutti Tax & Law, Julia Morassutti, observa que a qualidade e a precisão dos dados pré-preenchidos pela Receita vêm melhorando ano a ano, mas na declaração de 2026 (ano-base 2025) os erros foram relevantes. Ela avalia que a conferência dos dados exigirá mais atenção na declaração do ano que vem, pelas mudanças nas regras, como a da tributação de lucros e dividendos e a da tributação mínima sobre as altas rendas. O período de transição pedirá mais cuidado com as informações pré-preenchidas.O professor de Legislação Tributária da FGV EAESP, Alexandre Evaristo Pinto, entende que a tendência é essa mesmo, é a de dispensar cada vez mais pessoas físicas da declaração de renda. Mas ele adverte que a novidade estará apenas poupando esforços do contribuinte.PublicidadeVale pela simplificação e pela redução do tempo gasto para correr atrás de informes de rendimentos e das dúvidas que qualquer um tem. Mas a novidade não deve ser confundida com benefício financeiro nem com redução da carga tributária.Vale ler tambémSplit payment, CNPJ técnico: o que ainda falta para a reforma tributária começar de verdade em 2027?Em plena expansão, Coamo mira R$ 30 bi em faturamentoDesinformação sobre reforma tributária pode pressionar inflação