O vice da Copa do Mundo de 2026, após derrota para a Espanha nos Estados Unidos, marcou o fim da história de Lionel Messi com a seleção da Argentina. O ponto final foi revelado nesta segunda, por meio de carta publicada pelo craque em suas redes sociais. Uma história que contou com muitos gols, jogadas que deixaram o público de boca aberta, títulos, mas também momentos de drama. Relembre abaixo alguns dos momentos mais marcantes desta relação que, só na seleção principal, durou 21 anos, 207 partidas e 125 gols. O pontapé inicial de Messi com a camisa principal da seleção argentina não fez jus ao que foi todo o ciclo. Não durou nem um minuto. Já uma promessa do futebol argentino aos 18 anos, ele entrou aos 18 do segundo tempo num amistoso contra a Hungria, em Budapeste, em 17 de agosto de 2005. Mas foi expulso logo depois. Em sua primeira jogada, o meia foi puxado por Vilmos Vanczák e o acertou com uma cotovelada. O árbitro viu o lance e aplicou o cartão vermelho. Levaria ainda mais seis meses depois daquela fatídica expulsão para Messi balançar as redes pela primeira vez pela Albiceleste. Foi em 1º março de 2006, em amistoso contra a Croácia. Ele marcou o segundo da Argentina, aos seis minutos (àquela altura a partida já estava empatada em 1 a 1), depois de ter dado assistência para o primeiro, de Tévez. Do outro lado do confronto, estava o também jovem Luka Modric, que fazia sua estreia pela seleção croata. Estreia em Copas A Copa de 2006, na Alemanha, um jovem Lionel Messi começou sua trajetória em mundiais como reserva da seleção. Aos 18 anos, ele ainda vestia a camisa 19. Estreou logo na primeira partida, quando saiu do banco para balançar as redes pela primeira vez no torneio na goleada por 6 a 0 sobre Sérvia e Montenegro. Mas este seria o seu único naquela edição. A argentina se despediu nas quartas, eliminada pelos próprios alemães, ainda sem o brilho de sua promessa. Messi brinca com a bola no treino da Argentina durante a Copa de 2006 — Foto: Daniel Garcia / AFP O primeiro dos muitos golaços Em 2007, Messi assombrou o mundo pela primeira vez com a camisa da Argentina. Contra o México, pela semifinal da Copa América, marcou um golaço de cobertura que ajudou a construir a vitória por 3 a 0. Na decisão, porém, teve atuação apagada na derrota para o Brasil. Ouro olímpico Em 2008, Messi ajudou a Argentina a conquistar o bicampeonato olímpico em Pequim (já havia sido ouro em Atenas-2004). O meia marcou dois gols (contra a Costa do Marfim, na fase de grupos, e contra a Holanda, nas quartas) e ainda deu a assistência para Di María fazer o gol do título na vitória por 1 a 0 sobre a Nigéria. Por anos, este seria o grande título de Lionel pela seleção. Messi beija a medalha de ouro olímpica conquistada em 2008 — Foto: Jewel Sammad / AFP O fiasco em casa A Copa América de 2011, realizada na própria Argentina, tinha tudo para ser o primeiro título de Messi pela seleção principal. Mas faltou combinar com os próprios jogadores. A equipe não fez uma boa competição e foi eliminada ainda nas quartas de final, para o Uruguai, que viria a ser o campeão. O camisa 10 passou em branco na competição, sem ter marcado um gol sequer. Tão perto, tão longe Já bastante pressionado pelos argentinos por não entregar, com a camisa albiceleste, os mesmos resultados que já colecionava pelo Barcelona, Messi ficou muito perto de dar a volta por cima ainda em 2014. O craque liderou sua seleção até a final da Copa do Mundo, realizada no Brasil. Mas parou na Alemanha, que venceu a grande final com um gol na prorrogação. A frustração do camisa 10 ficou marcada pela icônica foto em que ele olha para o troféu, como que hipnotizado, após a derrota na decisão. Um abatido Messi é cumprimentado pelo goleiro Neuer após a perda da final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil — Foto: Pedro Ugarte/AFP A pausa de 2016 A sequência de vices consecutivos para o Chile (rival político histórico da Argentina) na Copa América de 2015 e de 2016 pesaram para Messi. Depois de desperdiçar sua cobrança na disputa de pênaltis que consagrou os chilenos no Metlife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, o camisa 10 anunciou que não jogaria mais pela seleção de seu país: "No vestiário pensei que acabou para mim a seleção, não é para mim. É o que sinto agora, é uma tristeza grande que volto a sentir", lamentou. Foi justamente na Copa América de 2016 que Messi se tornou o maior artilheiro da seleção argentina. O feito foi atingido na semifinal, quando ele chegou aos 55 marcados, deixando para trás Gabriel Batistuta. Mas o brilho da marca acabou ofuscado logo em seguida pelo vice-campeonato e o anúncio do fim da passagem pela Albiceleste. O adeus, porém, foi apenas um momento de desabafo. Em agosto daquele mesmo ano, o meia retornou. E em grande estilo: marcando o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa de 2018. Messi frustrado pela perda do título da Copa América de 2016, na final, para o Chile — Foto: Alfredo Estrella / AFP A grande reviravolta A volta de Messi à Argentina não foi acompanhada de uma guinada cinematográfica. A seleção ainda amargou más campanhas na Copa do Mundo de 2018 e na Copa América de 2019. A reviravolta veio em 2021, na segunda Copa América seguida no Brasil. O título veio em pleno Maracanã, diante dos donos da casa, e pôs fim a um jejum para os hermanos que durava desde 1993. Messi não brilhou na final (esse papel coube a Di María), mas fez uma boa competição, com quatro gols e cinco assistências. Messi comemora a conquista da Copa América de 2021, no Maracanã — Foto: Brenno Carvalho / O Globo O apogeu O título de 2021 livrou os argentinos do peso do jejum de conquistas e fez aquela geração deslanchar. E o ápice veio com o topo do mundo. Em 2022, Messi liderou a Argentina na conquista da Copa do Mundo de 2022. Com sete gols (sendo dois na eletrizante final contra a França de Mbappé) e três assistências, foi escolhido o craque do torneio. Finalmente pôde tocar no troféu e virou definitivamente um herói nacional em seu país. Messi beija a taça da Copa do Mundo de 2022 — Foto: Paul Ellis/AFP Últimos e vitoriosos anos O pós-2022 da Argentina foi navegado em céu de brigadeiro. A seleção só acumulou vitórias. Já Messi, atingiu novos feitos. Em 2003, em amistoso contra Curaçao, ele marcou o seu gol de número 100 pela Albiceleste. Tornou-se ainda o primeiro jogador sul-americano na história do futebol a atingir a marca de 100 gols oficiais por uma seleção principal. Em 2024, mais um título. Com Messi, a Argentina conquistou o bicampeonato da Copa América, levando a melhor nos pênaltis na final contra a Colômbia. O último ato A Copa do Mundo de 2026 marcou o adeus de Messi pela seleção. E quase veio com um título, já que a Argentina chegou até a final, onde acabou derrotada pela Espanha, novamente no Metlife Stadium, em Nova Jersey, nos EUA. Apesar da atuação ruim de todos os hermanos na decisão, foi uma Copa de feitos para o camisa 10. Tornou-se o primeiro jogador a marcar gols em nove partidas consecutivas do Mundial (considerando a sequência entre a edição de 2022 e a de 2026) e ainda terminou a competição como o segundo maior artilheiro da história das Copas, com 21 (atrás apenas de Mbappé, com um a mais).