Atriz, protagonista de “Lá na minha terra”, foi nomeada para integrar novo conselho consultivo da Justiça do Trabalho 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Dira Paes será protagonista da novela 'Lá na minha terra' — Foto: Renan Oliveira Protagonista de “Lá na minha terra”, próxima novela das seis da TV Globo, Dira Paes acaba de ser nomeada para integrar o novo conselho consultivo criado na Justiça do Trabalho, em Brasília, com foco no combate ao trabalho ilegal de crianças e adolescentes. Sua escolha para integrar este conselho — formado por notáveis do meio jurídico ligados ao tema e também representantes da sociedade civil — não surpreende a quem acompanha a trajetória da atriz paraense de 57 anos desde, pelo menos, 2003. Naquele ano, ela fez parte de um coletivo recheado de artistas, que fundou o MHuD (Movimento Humanos por Direitos), cujos pilares eram a luta contra o trabalho escravo, contra a degradação do meio ambiente, pelos direitos dos indígenas e dos quilombolas e pelos direitos das crianças e adolescentes. Dira diz que, ao longo desses anos, viu “a necessidade de ampliar e fortalecer a luta contra o trabalho infantil, pois é inadmissível conviver com as piores formas de exploração infantil, seja no campo ou na cidade, seja ele declarado ou invisibilizado”. Para ela, enquanto não houver a erradicação total do trabalho infantil, ainda há muito a se fazer. “É preciso dar continuidade e zelar pela criança na sua plenitude de desenvolvimento criativo e de aprendizagem, e insistir no cumprimento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente)”. Só que a luta de nossa atriz pela erradicação do trabalho infantil e na defesa de que lugar de criança é na escola não é fácil. Esta cruzada esbarra agora em algumas vozes poderosas. Em maio, no podcast “Inteligência Limitada”, Romeu Zema, o ex-governador mineiro e candidato a presidente, defendeu a flexibilização das leis sobre trabalho infantil. O próprio Bolsonaro, em julho de 2019, na época presidente, defendeu o trabalho infantil e usou o próprio exemplo para dizer que “não foi prejudicado em nada” por colher milho aos “nove, dez anos de idade” em uma fazenda. Mas Dira, que também integra o movimento Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil e é conselheira do Observatório do Trabalho Decente, lembra que, no Brasil, o trabalho infantil envolve, na sua grande maioria, “crianças periféricas, ribeirinhas, moradoras desse Brasil longínquo cooptadas dentro da sua vulnerabilidade social”. Ela enfatiza: “Nós, como adultos que somos, temos o dever de proteger as crianças do Brasil”. Aliás, ela, como atriz, atuou em três filmes em que o tema foi abordado. Em “Pureza” (2022), de Renato Barbieri, Dira viveu uma mãe que desafiou fazendeiros para resgatar o filho da escravidão contemporânea na Amazônia. Os outros foram “Baixio das Bestas” (2006), de Cláudio Assis, e “Manas” (2024), de Marianna Brennand. Em tempo: Com estreia prevista para 9 de novembro, “Lá na minha terra” (Globo), Dira Paes interpretará Rosenda, uma mulher que sai do Nordeste para procurar, em São Paulo, o marido (Daniel de Oliveira), 15 anos depois de deixá-la com a promessa de buscar uma vida melhor para a família. Ao chegar à cidade, Rosenda descobre que ele ficou rico, mudou de nome e tem uma amante (Camila Morgado). A novela das seis, criada e escrita por Mário Teixeira, terá direção artística de Allan Fiterman e direção-geral de Pedro Brenelli.