Equipamento de próxima geração, Roman tem campo de visão pelo menos cem vezes maior que o do Hubble e foi projetado para responder mistérios do universo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Telescópio espacial de próxima geração Roman. — Foto: NASA/Sydney Rohde (Rocz) A Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) lança, neste domingo de manhã, o telescópio espacial de próxima geração Roman, projetado para explorar alguns dos maiores mistérios do universo. E o Brasil terá um papel estratégico nessa empreitada: pesquisadores do Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), desenvolveram um sistema de alertas astronômicos que será usado para ajudar cientistas a identificar os fenômenos mais relevantes registrados pelo observatório. Batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da Nasa, Nancy Grace Roman, o novo telescópio espacial combina uma câmera infravermelha de 300 megapixels com um campo de visão pelo menos cem vezes maior que o do famoso telescópio espacial Hubble, responsável por grandes descobertas do universo desde o seu lançamento, em 1990. De acordo com a agência espacial americana, isso permitirá ao Roman capturar imagens amplas e de alta definição que cobrem uma área do céu cerca de 1,5 vez maior que o tamanho aparente da Lua cheia. A Nasa espera divulgar as primeiras imagens obtidas com o telescópio no início de 2027. O Roman também conta com uma tecnologia de bloqueio do brilho das estrelas para que os cientistas consigam observar a tênue luz refletida pelos planetas que orbitam ao seu redor, "revelando mundos gigantes mais antigos, mais frios e em órbitas mais próximas do que os jovens e quentes ‘super-Júpiteres’ que a obtenção de imagens diretas revelou principalmente até agora”, explica a agência. O principal objetivo é que a inovação permita cientistas desvendarem mistérios ainda não respondidos, como a energia escura e a matéria escura, além de descobrir e caracterizar exoplanetas, mapear bilhões de galáxias, estudar buracos negros e explorar objetos que vão desde o Sistema Solar até os limites do universo observável. Após o lançamento no domingo e a separação do foguete, o telescópio viajará até uma localização chamada de segundo ponto de Lagrange Sol-Terra, ou L2, que fica a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde também opera o telescópio espacial James Webb. A missão tem uma vida útil inicial de cinco anos, com o objetivo de operar por dez anos. Sistema brasileiro de alertas Nesse grande projeto, o Brasil terá um papel estratégico com o Arandu, como foi batizado o sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo LAB-IA para analisar as observações geradas pelo Roman. De acordo com os pesquisadores, a tecnologia vai atuar cruzando o material obtido pelo telescópio com informações anteriores para classificar os fenômenos e dizer aos astrônomos o que é mais importante de ser estudado. — O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas. Ter essa tecnologia desenvolvida e operada no CBPF insere o Brasil em uma etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico — diz Clécio Roque De Bom, professor do CBPF e coordenador científico do LAB-IA. Equipe do Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). — Foto: Divulgação / LAB-IA O Arandu, que significa sabedoria em tupi-guarani, será especializado na análise de fenômenos que mudam com o tempo, conhecidos como eventos transitórios ou variáveis, caso de explosões estelares, oscilações no brilho de estrelas e outros acontecimentos que exigem identificação rápida para que possam ser acompanhados por pesquisadores e outros observatórios. — O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação. Sistemas como o Arandu serão fundamentais para reconhecer essas mudanças no meio de um fluxo contínuo de dados e permitir que a comunidade científica reaja a elas — afirma De Bom. Formado por uma equipe multidisciplinar, o LAB-IA desenvolve algoritmos para analisar grandes volumes de dados e apoiar descobertas em áreas como astrofísica, cosmologia, geofísica, petrofísica, física de partículas, novos materiais, energia e medicina.