Na segunda barreira, Alison dos Santos já havia feito o que antes não era sua especialidade: largar para cima. Na quarta, tinha alcançado os adversários sem perder velocidade. Daí até a chegada, sustentou o ritmo e a técnica para construir, barreira a barreira, os 45s80 do novo recorde mundial dos 400 metros com barreiras.
Estabelecida pelo brasileiro na quinta-feira (27), na etapa de Zurique da Diamond League, a marca é resultado de uma consistente evolução técnica.
Para alcançar o feito, Piu, como o paulista é conhecido, combinou uma largada mais agressiva, técnica precisa para atacar os obstáculos e capacidade de sustentar a velocidade até a chegada. A mudança ajuda a explicar por que conseguiu baixar em quase um segundo a marca de 46s72 registrada nos Jogos de Tóquio.
"Foi uma corrida sem erro técnico, sem desacelerar na descida da barreira, entrando de forma agressiva em cada barreira", afirma Evandro Lázari, professor de Atletismo da Unicamp e treinador com mais de 20 convocações para a seleção brasileira, incluindo Jogos Olímpicos e Mundiais.
Para Lázari, o desempenho de Piu reuniu os principais elementos necessários para esse tipo de disputa. "Técnica, velocidade, resistência e força de vontade", resume.












