O resultado fiscal do governo dos Estados Unidos em julho voltou a despertar interesse para um dos principais desequilíbrios da maior economia do mundo. O déficit federal chegou a perto de 430 bilhões de dólares, pior montante registrado em um mês de julho. É mais um sinal de que a política fiscal norte-americana continua fortemente expansionista, agora sob Donald Trump, depois de anos de déficits elevados também durante o governo de Joe Biden. Trata-se, portanto, de um desequilíbrio que atravessa administrações e partidos.
O problema não está no resultado de um mês isolado. Os Estados Unidos têm acumulado déficits muito elevados há vários anos, e a combinação de gastos crescentes, despesas de defesa, programas obrigatórios ligados à saúde e à previdência e uma arrecadação insuficiente para acompanhar esse ritmo produz uma trajetória cada vez mais preocupante para a dívida pública. A política do governo Trump mantém essa pressão e, em algumas frentes, pretende ampliá-la, especialmente com o aumento dos gastos militares.
A consequência aparece no estoque da dívida e, principalmente, no custo de carregá-la. A dívida federal norte-americana ultrapassou a marca de 40 trilhões de dólares, enquanto as despesas anuais com juros estão na casa de 1 trilhão. É uma cifra impressionante: a conta de juros tornou-se comparável ao próprio orçamento de defesa, que também gira em torno de 1 trilhão e que Trump pretende elevar ainda mais nos próximos anos.









