Com voo e itinerário não divulgados, ida de John Ratcliffe à capital russa teria sido motivada por evidências de inteligência, segundo pessoas informadas sobre o assunto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente dos EUA, Donald Trump (D), ao lado do diretor da CIA, John Ratcliffe, acompanha operação que levou à captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro — Foto: Reprodução/Redes Sociais O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que a Rússia não vai atacar os países-membro da Otan, ao minimizar relatos da imprensa americana de que o chefe da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, teria viajado secretamente a Moscou com o objetivo de alertar os russos contra qualquer ofensiva aos aliados — uma preocupação que seria motivada por informações coletadas pela agência. O Kremlin já tinha chamado a versão em circulação nos EUA de "alarmista". — [A Rússia] não vai atacar o território da Otan — disse Trump nesta quinta-feira ao comentar as alegações, acrescentando que tem mantido "boas conversas" com o presidente russo, Vladimir Putin. Em um programa de rádio na quarta-feira, o presidente já tinha classificado a ida do diretor como uma "visita de semirrotina", e rejeitado qualquer relação com ameaças russas. Fontes ouvidas pelo jornal americano Wall Street Journal apontaram a finalidade da viagem do chefe da CIA a Moscou seria alertar contra um ataque ao território da Otan. Autoridades americanas estariam preocupadas que Putin, pressionado pela guerra na Ucrânia e suas consequências internas e externas, pudesse lançar algum tipo de ação agressiva contra um aliado europeu, disseram as fontes — mencionando que o provável seria algum país báltico, em uma ação que poderia ser tanto um ataque cibernético quanto uma incursão de pequena escala. Da esquerda para a direita: o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante uma reunião na Cúpula da Otan de 2025, realizada em Haia, nos Países Baixos, em 25 de junho de 2025 — Foto: Haiyun Jiang / The New York Times As forças ucranianas têm investido em ataques aéreos contra o território russo e de áreas ocupadas, em uma campanha que chamam de "sanções de longo alcance", a fim de fazer a guerra ser sentida do outro lado da fronteira. Entre os alvos recentes estão grandes redes de e-commerce e refinarias de petróleo. Uma investigação foi aberta nesta quinta-feira para apurar as circunstâncias da morte de um militar russo da Força Aérea, em um incidente envolvendo um carro-bomba perto de São Petersburgo. A Ucrânia realizou uma série de assassinatos de militares russos de alta patente desde que começou a ofensiva da Rússia há mais de quatro anos. Em uma manifestação nesta quinta, o Kremlin classificou as informações da mídia americana sobre a visita do diretor da CIA como "histórias alarmistas". O principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov , disse que a informação "não tem nada a ver com a realidade nem com as intenções da Rússia". Ele insistiu, porém, que Moscou enfrenta uma "agressão" dos países europeus. — A Rússia preferia alcançar seus objetivos por meios pacíficos, mas, como isso não é possível, continua com sua operação militar especial [termo usado pelo governo russo para se referir à guerra lançada contra a Ucrânia]. Isso é para garantir sua segurança e seus interesses — acrescentou Peskov. Tanto Moscou quanto Washington afirmaram nos últimos dias que as reuniões envolvendo o diretor da CIA incluiria apenas contrapartes, rejeitando que Ratcliffe tivesse qualquer encontro programado com Putin. Embora o enviado especial de Trump para negociações no exterior, Steve Witkoff, tenha viajado a Moscou algumas vezes desde o retorno do republicano à Casa Branca, o último chefe da Inteligência dos EUA a pisar na capital russa tinha sido William Burns, durante o governo Joe Biden, em novembro de 2021 — antes do início da guerra com a Ucrânia, portanto. (Com AFP)