Câmbio doméstico acompanha movimento de valorização global da moeda americana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Notas de US$ 100 — Foto: Paul Yeung/Bloomberg O dólar à vista exibiu valorização contida frente ao real nesta quarta-feira, refletindo a dinâmica global da moeda americana. Hoje, dados de inflação nos Estados Unidos levemente mais fortes do que o esperado ajudaram a dar força ao dólar na maioria dos mercados. O real não figurou entre as divisas mais fracas nem entre as mais fortes do dia, na relação das 33 moedas mais líquidas. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou negociado em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,1513, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1400 e batido na máxima de R$ 5,1650. Já o euro comercial avançou 0,03%, a R$ 6,0028. No exterior, perto das 17h05, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,24%, aos 99,152 pontos. No começo do pregão de hoje, o dólar operava perto da estabilidade, ensaiando uma valorização frente ao real. A moeda americana ganhou direção após a divulgação do índice de preços do PCE (gastos com consumo). Conforme aponta a economista sênior para América do Norte da Capital Economics, Ariane Curtis, a alta do núcleo do deflator do PCE em julho não será suficiente para convencer o Federal Reserve (Fed) de que é preciso elevar as taxas de juros já em setembro. “No entanto, com a taxa anual ainda em 3,3% e diante de nossas projeções relativamente otimistas para o crescimento e para o mercado de trabalho, a questão continua sendo ‘quando’ — e não ‘se’ — as taxas serão elevadas. Em nossa avaliação, ocorrerá um aumento de 0,25 ponto percentual em dezembro, seguido por outro no início do próximo ano.” Hoje, os agentes passaram a precificar, inclusive, mais chances de alta no encontro de dezembro, enquanto, nas reuniões até lá, essa elevação das taxas parece menos provável. Para um gestor de moedas, caso os dados continuem indicando mais chances de alta de juros pelo Fed, o real tende a ficar mais pressionado. “Não só pelo cenário externo menos favorável, mas porque isso vai se concretizar em uma sazonalidade ruim para o fluxo e também porque teremos incertezas sobre o novo governo, mesmo após as eleições.” O economista-chefe do banco BMG, Flavio Serrano, tem outra visão e diz que o esperado para o movimento do Fed é de uma alta nas taxas até o fim do ano e no máximo outra em meados do ano que vem. “E acho que isso já está bem incorporado nas curvas [de juros] e nas previsões dos analistas. Então, uma possível alta de juros pelo BC americano em dezembro não deveria mudar a dinâmica do dólar global”, afirma. “O que pode mudar o quadro é se ocorrer uma sequência de números mais fortes do mercado de trabalho americano ou de inflação mais alta e, neste caso, cresça a chance de mais de duas altas nas taxas.” Para Serrano, a dinâmica da moeda americana deve se manter orientada por uma depreciação global e isso, combinado com fundamentos do câmbio brasileiro, como preços do petróleo em alta e diferencial de juros ainda elevado, devem manter o real estável. “Claro que a volatilidade pode aparecer por conta do processo eleitoral, mas não me parece haver uma mudança de tendência, também me parece que ir muito abaixo de R$ 5,10 é difícil, assim como muito acima de R$ 5,30”, afirma. “E, na teoria, se pensarmos em preço de equilíbrio, o real deveria depreciar contra o dólar por conta do diferencial de inflação, já que a nossa [inflação] é maior do que a americana, portanto, o câmbio ficar estável é, na verdade, sinal de elementos positivos que impedem a depreciação natural que deveria ocorrer.” O chefe de pesquisa da Jubarte Capital, Benjamin Mandel, diz em nota que, embora a volatilidade implícita do câmbio tenha aumentado recentemente, refletindo uma disputa eleitoral mais acirrada, o nível da oscilação ainda está intermediário em comparação com ciclos eleitorais anteriores. “Essa incerteza, por si só, provavelmente está exercendo uma pressão moderadamente negativa sobre o ciclo de mercado", diz o profissional.