O avanço das novas rotas do tráfico de drogas pela região costeira do Brasil acende alerta em operadores portuários e leva terminais a investir em inteligência artificial, comprar drones submarinos e até a reduzir o uso de contêineres em remessas de frutas ao exterior. Em vez disso, a orientação é de uso de pallets.

Sete portos afirmaram à Folha ter tomado medidas para combater a exportação de entorpecentes. As medidas vêm na esteira de mudanças na dinâmica do tráfico internacional diante do aperto na fiscalização do porto de Santos.

As apreensões de cocaína nos portos brasileiros vêm caindo nos últimos anos, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 2021, foram 46 toneladas de cocaína confiscadas em portos, embarcações e rios de todo o país. Em 2025, a quantidade somou 15 toneladas.

A retração das apreensões pode estar ligada à diversificação de estratégias criminosas, conforme investigadores.

Um dos padrões é de remessas menores, mais difíceis de serem detectadas, em vez de mandar centenas de quilos ou toneladas de droga de uma só vez —neste caso, o prejuízo de uma eventual apreensão seria muito maior. Outra mudança é o uso de outros tipos de embarcação, como pesqueiros e veleiros.