0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, vai se reunir, virtualmente, com o ministro Márcio Elias Rosa na segunda — Foto: Graeme Sloan/Bloomberg Um negociador com quem eu conversei agora de manhã define a reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, como “uma tentativa difícil de avançar um pouco”. Marcada para a próxima segunda-feira, só será possível por que “o presidente conseguiu destravar um pouco as negociações”. Mas, admite o negociador, “continua uma distância muito grande”. Perguntei por que a distância permanece grande e ouvi que “eles querem muito não dando nada”. Mas o que eles querem de concreto? A resposta espanta pela impossibilidade. Eles querem reduzir tarifas e criar uma abertura comercial apenas para os Estados Unidos, criando barreiras para os outros países. O Brasil optou há muito tempo por ter um comércio diversificado e aberto a todos os países. Após o primeiro tarifaço americano, no ano passado, o país ampliou ainda mais essa diversificação. Empresas, associações e o próprio governo brasileiro procuraram realocar para outros mercados as exportações que foram inviabilizadas nos Estados Unidos. Mas há muito tempo o Brasil tem a estratégia de comércio com o máximo de países possível e criou um comércio muito sólido com a China. Mesmo assim a conversa entre o Márcio Elias Rosa e Greer é importante porque representa a própria retomada do diálogo. O Brasil precisa continuar conversando com os Estados Unidos. Um cenário de negociações travadas não é positivo, ainda que o impasse não tenha sido criado por nós. Há ainda outro ponto positivo: o interlocutor americano é Jamieson Greer, e não o secretário de Estado, Marco Rubio. Rubio já fez diversas declarações ofensivas ao Brasil. O secretário é a ponta de lança da visão ideológica do governo Trump e de seu desejo de uma América Latina governada apenas pela direita. Estamos em meio a um processo eleitoral, e o governo americano já se posicionou em favor da candidatura da extrema direita à Presidência brasileira. Nesse cenário, cabe ao presidente Lula manter a capacidade de construir canais de diálogo, como fez na recente conversa com Trump. E é possível esperar algo? Sim. No cenário mais otimista, o Brasil pode conseguir aumentar a lista de exceções. Não é possível esperar, neste momento, uma solução definitiva para o problema ou a retirada das tarifas de 25% ou de 12,5%. Há diversos lobbies de empresas que comercializam com o Brasil atuando junto ao governo americano pela redução dessas tarifas. Esses são nossos aliados. Por outro lado, há setores, como o agronegócio americano, que competem com produtos brasileiros e atuam para que esse muro tarifário seja mantido.
EUA querem do Brasil abertura muito ampla e só para eles, informa negociador
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