[RESUMO] Embora seja legítimo que religiosos cristãos proponham-se a interferir na arena pública e disputem eleições, submeter os textos sagrados a projetos políticos é o mesmo que desvirtuar as mensagens da Bíblia, comenta teólogo. Para ele, a direita cristã por vezes resvala no fanatismo ao tentar impor sua interpretação como única verdade, no sentido contrário aos ensinamentos de Deus sobre misericórdia e compaixão.

Há quem diga que religião nada tem a ver com política. Outros afirmam exatamente o oposto —ou, como bem disse Desmond Tutu, arcebispo anglicano da Cidade do Cabo (África do Sul) e Nobel da Paz, "não existe nada mais político do que dizer que religião não tem nada a ver com política".

Uma teoria política aborda conceitos, princípios e argumentos que explicam como o poder deve ser distribuído e exercido na sociedade, qual é a finalidade do Estado, quais direitos e deveres cabem aos indivíduos e quais critérios tornam uma ordem política legítima e justa.

O Evangelho tem tudo isso e não sem razão foi definido como "boas notícias a respeito do reino de Deus", o contexto em que a vontade de Deus é feita na terra como no céu.

O "reinado de Deus" implica princípios, valores e argumentos que orientam as relações humanas; um jeito de ser gente, ser família, e ser sociedade; um jeito de organizar o trabalho, administrar riquezas e governar uma cidade; um jeito de ocupar da terra, promover justiça social e cuidar das populações em condições de vulnerabilidade, especialmente os empobrecidos, que Jesus chama de pequeninos.