"Jolene, Jolene, Jolene, Joleeeene." Esse, que é um dos refrões mais famosos da música country, só vingou porque Dolly Parton, morta nesta terça-feira, queria memorizar o nome esquisito de uma certa fã ruivinha que lhe pedira autógrafo. Na volta para casa, contava a cantora em entrevistas, ela ficou repetindo a alcunha na cabeça para não esquecer a sonoridade.

A cantora Dolly Parton em New York, em 1975 - Jack Manning/The New York Times

Mas as coincidências paravam aí. A verdadeira Jolene da letra, aquela de "beleza além de qualquer comparação", "cachos flamejantes" e "olhos cor de esmeralda", era outra —funcionária de um banco com quem o marido de Parton andava flertando. "Eu sabia que ele estava passando mais tempo na agência do que o dinheiro que a gente tinha permitia", disse a compositora à versão australiana do programa 60 Minutes.

Nascia uma música antológica sobre a esposa enciumada que implorava "por favor, não roube meu homem". Parton conta que não gostava de cantá-la em shows porque era muito pessoal. Não que adiantasse muito, já que "Jolene", lançada em 1974, se tornou hit instantâneo e vem sendo regravada por nomes tão díspares como Olivia Newton-John, Miley Cyrus e a banda indie The White Stripes.