Emiliane Carvalho relatou o lançamento de artefatos explosivos perto de sua casa e afrouxamento de parafusos de seu carro, mas declarou não ter certeza do envolvimento do suspeito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Emiliane Tamara foi encontrada pela Polícia Militar amordaçada e acorrentada, em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram e Polícia Militar de Goiás Mantida em cárcere privado por cinco dias pelo ex-companheiro, Ailton Rodrigues de Souza, a técnica de enfermagem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, pediu uma medida protetiva de urgência contra o ex neste ano, mas teve o pedido negado por falta de provas, segundo o Tribunal de Justiça de Goiás. A mulher foi encontrada na última sexta-feira presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro por policiais. Segundo o TJGO, em dezembro de 2020, foi concedida uma medida protetiva de urgência em favor de Emiliane, pelo prazo de 180 dias. Porém, em abril de 2021, a própria vítima informou à polícia que não tinha mais interesse em continuar com o processo e retirou a representação que havia feito. "O Ministério Público opinou pelo arquivamento do inquérito por ausência de justa causa, manifestação acolhida pelo juízo competente, que determinou também a revogação e o arquivamento da medida protetiva então vigente, em razão de sua natureza acessória ao inquérito. Constatado o decurso do prazo de 180 dias sem manifestação da vítima quanto à prorrogação, o arquivamento definitivo foi certificado em setembro de 2021", explicou o órgão. Em 2026, a vítima formulou um novo pedido de medidas protetivas de urgência, relatando fatos ocorridos entre dezembro de 2025 e março de 2026, entre eles dano a câmera de segurança, lançamento de artefatos explosivos próximo de sua residência e afrouxamento dos parafusos de seu veículo. No entanto, o TJGO alegou que Emiliane declarou não possuir certeza sobre a autoria dos episódios e apenas levantou suspeita do envolvimento do ex. "Intimada a informar fatos mais recentes, relatou invasão de sua residência com destruição de câmeras de segurança e pichação do muro, também sem elementos que permitissem vincular os fatos ao ex-companheiro. O Ministério Público opinou pelo indeferimento do pedido, e o juízo, em decisão fundamentada, indeferiu as medidas protetivas por ausência de elementos objetivos que demonstrassem a atualidade do risco e a vinculação do requerido aos fatos narrados, ressalvando expressamente a possibilidade de novo pedido caso sobrevenham fatos novos e concretos." O Tribunal informou que há outros procedimentos judiciais em curso envolvendo a vítima e o suspeito, um deles de natureza cível e outro que corre em segredo de justiça. "O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) esclarece que a parte mencionada foi assistida, ao longo dos últimos anos, por diversos procedimentos judiciais envolvendo o mesmo suposto agressor, todos submetidos à apreciação do Poder Judiciário e do Ministério Público, com decisões devidamente fundamentadas em cada etapa". Resgate A vítima foi localizada em 21 de agosto por policiais militares da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste. Segundo a corporação, as buscas se iniciaram depois que a família da jovem relatou seu desaparecimento. Após surgirem indícios de envolvimento do ex-namorado, como mudanças na sua rotina, foi identificado um imóvel alugado pelo suspeito dias antes no Setor Jardim América 3, bairro residencial do município. O local estava fechado com tapumes e protegido externamente. Os policiais ouviram ruídos no interior da residência e decidiram entrar na casa. Foi quando encontraram a jovem em um dos quartos acorrentada à cama. "No interior de um dos quartos, a vítima foi localizada amordaçada e com os membros inferiores e superiores, além do pescoço, restringidos por cordas, algemas e corrente. Ela também apresentava dificuldades respiratórias e sinais de falta de oxigenação", diz, em nota, a Polícia Militar. A vítima estava ainda com uma máscara de gás para evitar que os vizinhos ouvissem os gritos. Segundo a corporação, ela sofreu estupros recorrentes durante o período em que estava sequestrada, e a casa estava abastecida com uma quantidade de comida e água que indicava planos do suspeito de mantê-la em cárcere por mais dias. Ailton foi preso em flagrante. No sábado, a Justiça de Goiás decretou a prisão preventiva do suspeito, em decisão que cita ameaças reiteradas, constrangimento físico e restrição da liberdade da vítima. O caso segue em investigação pela Polícia Civil de Goiás.