Gustavo Pimenta destacou ainda que a empresa adotou medidas para enfrentar possíveis impactos de um El Niño em grande escala, e defendeu a ampliação da produção de minério de ferro de alto teor 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O diretor-presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse nesta terça-feira (25) a jornalistas que a mineradora avalia a possibilidade de participar da disputa pelo Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), mas ainda não tem “nenhuma decisão a respeito”. “É uma oportunidade, obviamente, de a gente seguir tendo uma participação relevante dentro do mercado de minério. Logísticas são sempre positivas. A gente sempre olha essas oportunidades”, afirmou Pimenta. O Valor adiantou que a Vale avalia participar da disputa sem desembolso direto de caixa para adquirir o terminal. A alternativa seria um contrato de longo prazo no modelo “take-or-pay”, no qual a mineradora se comprometeria a garantir volumes mínimos de minério de ferro ao terminal, mesmo sem usar a capacidade contratada integralmente. Leia mais: A Vale apoiaria a proposta liderada pela Global Infrastructure Partners (GIP), gestora controlada pelo BlackRock, e pela Gerdau. Sustentabilidade Pimenta defendeu a ampliação da produção de minério de ferro de alto teor, como medida para ajudar a descarbonizar a cadeia siderúrgica, que responde por 8% das emissões de gases de efeito estufa no mundo. “Temos capacidade de acelerar a descarbonização. E o minério de ferro de alto teor é fundamental para isso. O Brasil tem esse minério de ferro. Na Austrália, esse minério é considerado estratégico. Vamos articular para que o minério de ferro de alto teor seja considerado estratégico no Brasil”, afirmou o executivo. O CEO da Vale também defendeu mudar a legislação brasileira para agilizar os processos de licenciamento, que hoje levam até 15 anos para serem avaliados e aprovados, e aumentar as equipes que avaliam os projetos. Pimenta disse que a Vale também estuda desenvolver no Brasil o HBI (Hot Briquetted Iron) usando fontes renováveis de hidrogênio, o que permitiria exportar um produto com valor agregado maior. “Poderíamos produzir no Brasil se a gente tivesse gás natural barato ou se a gente tivesse hidrogênio competitivo. O hidrogênio está em uma jornada ainda de eficiência. Pode ser que em algum momento passe a ser uma solução já com emissão zero, mas não é hoje”, ponderou. El Niño O presidente da Vale disse ainda que a empresa adota medidas para enfrentar possíveis impactos de um El Niño em grande escala. Ele observou que há expectativa de um período mais seco no Norte do país e mais chuvoso no Sul, podendo ter reflexos também no Sudeste. “No Norte, estamos trabalhando muito no combate a incêndios e, por enquanto, temos conseguido gerenciar isso bem”, afirmou Pimenta. Já para as operações do Sul e Sudeste, a mineradora prepara um plano para enfrentar as chuvas. “Estamos preparando um plano de chuvas muito robusto para estarmos preparados para, eventualmente, mais chuvas na região. Porque afeta a produção e também aumenta o risco de barragens. Segurança é a nossa prioridade, sempre, em primeiro lugar.” Diretor-presidente da Vale, Gustavo Pimenta — Foto: Gabriel Reis/Valor