Quase 14 milhões de pessoas sofrem de fome aguda no país, que tem uma população de mais de 45 milhões de pessoas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Crianças afegãs esperando por comida doada pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU — Foto: AFP Cerca de 3,7 milhões de crianças e adolescentes no Afeganistão sofrem de desnutrição aguda, sendo que 1 milhão enfrenta a forma grave da doença, com risco de morte, afirmou o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no país, Tajudeen Oyewale. A declaração foi dada durante uma videoconferência de Cabul antes de uma reunião em Genebra. — Sem tratamento, e se não conseguirmos intervir rapidamente, um milhão de crianças corre o risco de morrer — insistiu Oyewale. Após os devastadores terremotos do ano passado, vários desastres climáticos neste ano e o retorno de milhões de afegãos do Irã e do Paquistão, quase 14 milhões de pessoas sofrem de fome aguda, em uma população de mais de 45 milhões de pessoas, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA). No início de agosto, a organização anunciou que a desnutrição aguda infantil atingiu níveis críticos no país. Segundo o Unicef, desde o começo do ano, mais de meio milhão de crianças foram internadas em centros de saúde por emagrecimento extremo. — As crianças com menos de dois anos representam mais de 80% dos casos de desnutrição aguda grave que estamos observando em todo o país — acrescentou Oyewale. Ele também destacou que os casos de desnutrição aguda grave em crianças, acompanhados de complicações médicas, aumentaram em mais de um terço em 2026. Além disso, Oyewale acrescentou que as mães que sofrem de desnutrição severa dão à luz bebês com baixo peso, que apresentam uma taxa de sobrevivência muito reduzida devido à falta de cuidados intensivos nas unidades neonatais. O programa de nutrição do Unicef no Afeganistão precisa de aproximadamente US$ 180 milhões (R$ 927 milhões) neste ano, mas até o momento conta apenas com 22% do financiamento necessário, segundo a organização. O conflito com o Paquistão, que provocou o fechamento quase total da fronteira terrestre entre os dois países desde outubro de 2025, também interrompeu consideravelmente as rotas logísticas para a entrega de ajuda humanitária, explicou o vice-diretor executivo do PMA, Carl Skau, à AFP em maio. Em meados de agosto, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou a chegada ao Afeganistão, via Paquistão, de mais de 700 caminhões carregados com alimentos e suprimentos humanitários essenciais.