Instalações da Aura no Estado de Mato Grosso Foto: Divulgação/Aura - 26/11/2021A Aura Minerals, mineradora de ouro brasileira listada em Nova York, está fazendo jus à expressão que se popularizou entre jovens e está “farmando aura”. No jargão das redes, a frase significa “juntar pontos de reputação” e resume bem o momento em que a companhia vem acumulando prestígio no mercado.PUBLICIDADEA ação acumula alta de 74% em 2026, cotada perto de US$ 90, com valor de mercado de US$ 7,3 bilhões. O desempenho é impulsionado tanto pelo mercado de ouro quanto por fatores operacionais. Só em agosto, o papel subiu 59,9%, mesmo após a empresa reportar um desempenho operacional considerado fraco no primeiro semestre. A esperança dos especialistas é de que o segundo semestre apresente pista livre para a mineradora brasileira.No caso da commodity, o Goldman Sachs pontua que a demanda pelo metal aumentou acentuadamente em meio à renovada procura por proteções (hedges) macro e de política econômica globais, criando um amplificador mecânico de preços.Metal valorizou 15% desde meados de julhoOs analistas Lina Thomas e Daan Struyven destacam que esses movimentos macroeconômicos foram responsáveis pela alta de 15% do ouro desde a mínima de meados de julho, para perto de US$ 4.600 por onça troy, com a demanda por opções de compra em alta e elevada volatilidade provavelmente amplificando o movimento. Como base de comparação, o GDX, índice que reúne as principais mineradoras da commodity do mundo, avançou 44,2% nesse período.“Mais recentemente, o ouro voltou a subir com dados americanos mais moderados, menor probabilidade de altas adicionais de juros e recuperação da demanda dos investidores”, afirma o analista de commodities do Itaú BBA, Daniel Sasson. “A dívida pública americana e o custo de financiamento permanecem elevados, aumentando as preocupações com a sustentabilidade fiscal e incentivando a diversificação de reservas. O ouro continua tendo o papel de reserva de valor.”Publicidade“Todo esse movimento tem base na desdolarização, um enfraquecimento estrutural do dólar, enquanto a oferta e demanda por ouro permanecem relativamente estáveis ao longo do tempo”, aponta o head de Mineração e Siderurgia, Papel e Celulose e Bens de Capital da XP, Lucas Laghi. “As decisões dos bancos centrais têm sido uma força mais estrutural para o preço do ouro, um driver importante da demanda de 2025 e que acreditamos que siga como um movimento estrutural.”Itaú BBA aumentou preço-alvo da açãoNo que se refere especificamente à Aura, boa parte da alta mensal ocorreu após o Itaú BBA elevar o preço-alvo da ação de US$ 96 para US$ 98: no dia da atualização, o papel chegou a disparar 12% na Nasdaq. O banco afirma que o movimento pode ter sido impulsionado pela sinalização mais confiante da companhia com relação à execução operacional no segundo semestre, após um primeiro semestre abaixo das expectativas.“Mesmo após a forte alta da ação, ainda vemos uma combinação atrativa de crescimento de produção, retornos elevados sobre o capital investido, balanço pouco alavancado, geração de caixa e remuneração aos acionistas”, afirma Sasson. “Ainda consideramos o risco-retorno favorável. Se a Aura entregar seu plano de crescimento, pode passar a negociar mais próxima dos múltiplos das maiores empresas do setor.”Em um contexto doméstico com poucos ativos listados relacionados ao ouro, a Aura surgiu como uma alternativa para investir na commodity. Na B3, a empresa é negociada por meio de um BDR (recibo de ação negociada no exterior), além de um ETF (fundo de índice) que replica a variação do preço internacional do ouro e outro BDR de um ETF que reúne grandes mineradoras globais de ouro e prata.Projeção aponta para bom crescimentoMesmo sendo considerada uma “junior miner”, ou seja, com um volume ainda relativamente baixo, Laghi destaca que a manutenção da projeção (guidance) de produzir 600 mil onças até o final da década aponta um bom crescimento. “Esse é o principal número que temos para a empresa ao longo dos próximos anos, refletindo ali vários projetos que ela está colocando de pé”, aponta.PublicidadeEntre eles, o analista cita o início da construção do projeto Era Dorada, na Guatemala, além da aquisição recente da Mineração Serra Grande (MSG) no Brasil. O fato de ser uma “junior” também a faz mais sensível às flutuações do preço do ouro.“A Aura está passando por um processo de turnaround (virada). É um papel muito alavancado a ouro, mas com crescimento. Pensando na ótica do duration (sensibilidade) do papel, é natural esperar uma performance mais elástica ao ouro, comparado com mineradoras mais desenvolvidas, mais estabelecidas”, conclui Laghi.Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 24/08/2026, às 14:19A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.Vale ler tambémA inteligência artificial seria a solução ou a dissolução?Caixa já investiu R$ 2,6 bi em tecnologia em 2026Empresas controladas pela XP vão se fundirPublicidade
A mineradora brasileira que salta 74% no ano em NY e surfa nos ganhos do ouro
Aura Minerals atingiu valor de mercado de US$ 7,3 bi na Nasdaq; só em agosto, ação subiu 59,9%













