Brittany Boltinhouse acusa Miss EUA de difamação e diz que decisão foi motivada por suas posições políticas; organização afirma que cassação ocorreu por conduta incompatível com o título 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Montagem do GLOBO com fotos de Brittany Boltinhouse — Foto: Redes sociais A ex-Miss Carolina do Norte Brittany Boltinhouse, de 27 anos, processou a organização Miss EUA e a A Blaize Productions após ter o título cassado neste mês, em meio à divulgação de antigas publicações nas redes sociais com um termo racista. No processo, aberto neste domingo (23) e consultado pelo Daily Mail, ela acusa as entidades de promover uma campanha para destruir sua reputação e afirma que a decisão teve relação com suas posições políticas e religiosas. Boltinhouse havia vencido o concurso no mês passado e estava escalada para representar o estado no Miss EUA, em 27 de agosto. Após a repercussão das publicações, a organização retirou sua coroa e indicou a segunda colocada, Myla Hadley, para ocupar seu lugar. Os advogados da ex-rainha reconhecem no processo que ela utilizou o termo pejorativo cinco vezes em 2017 e uma vez em 2019, mas afirmam que não houve intenção de ofender. Processo coloca versões em confronto A ação sustenta que as organizações transformaram Boltinhouse em alvo de acusações de racismo, homofobia e transfobia e teriam usado as publicações para prejudicar sua carreira. Ela não pede a recuperação do título, mas busca indenização por danos morais, reputacionais e profissionais, em valor superior a US$ 25 mil, a ser definido por um júri. O processo também apresenta transcrições de conversas entre Boltinhouse e os coproprietários da A Blaize Productions, Nic e Ariana Blaize, realizadas no dia da cassação. Segundo os documentos, Ariana afirmou que a organização enfrentaria um impacto negativo de relações públicas caso mantivesse a vencedora. "Eu simplesmente não acho que conseguiríamos sobreviver a isso. Acho que provavelmente nos custaria a franquia. E foi isso que realmente levou à decisão de remover seu título", disse ela, segundo a transcrição apresentada no processo. A organização nega, porém, que a decisão tenha sido motivada por política ou religião. Em comunicado ao Daily Mail, a A Blaize Productions afirmou que participantes podem expressar suas crenças pessoais, mas estão sujeitos a padrões de conduta e às responsabilidades associadas ao título. "Esta não foi uma decisão sobre se a Sra. Boltinhouse tinha o direito de professar determinadas crenças políticas ou religiosas. Ela tinha e permanece com esse direito", afirmou a empresa. A entidade também declarou que analisou informações e materiais públicos que vieram à tona após a coroação e tomou a decisão considerando “a totalidade das circunstâncias”. Boltinhouse, que se define como conservadora e cristã, já havia afirmado anteriormente ao Daily Mail que não se arrependia de ter usado o termo racista. "Não. De jeito nenhum", respondeu, quando questionada se deveria pedir desculpas pelo uso da expressão.