O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi flagrado cochilando durante o debate transmitido pela TV Band, na noite deste domingo (23). Vice-candidato à Presidência da República de Ronaldo Caiado, Kassab dormiu em mais de um momento ao longo da uma hora e meia de confronto. Esvaziado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o primeiro debate dos candidatos à Presidência da República contou apenas com a presença Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Na abertura do debate, os três candidatos presentes criticaram as ausências, em especial as de Lula e de Flávio. Ao longo da conversa, os três abordaram temas como segurança, educação, economia e polarização. Veja vídeo: Presidente nacional do PSD e vice de Caiado, Gilberto Kassab cochila durante debate Primeiro sorteado para responder uma pergunta dos jornalistas, Renan Santos dirigiu-se aos púlpitos vazios de Lula e de Flávio e afirmou que os apoiadores de ambos "vivem brigando na internet, mas eles próprios são covardes". — Eles não têm coragem de vir aqui falar sobre os crimes que cometeram. Não ligam para as vidas dos brasileiro que morrem todos os anos pela criminalidade — afirmou Renan, que se referiu aos dois adversários como "criminosos". Em seguida, Caiado manteve a mesma toada do presidenciável do Missão e lamentou as ausências de Lula e de Flávio, sem referir-se à falta de Zema: — A sociedade esperava a presença dos dois pré-candidatos. Isso mostra que eles não têm como explicar os escândalos em que estão envolvidos — disse o candidato do PSD. Cury, que chegou a ensaiar também faltar ao debate já na porta da TV Bandeirantes, usou sua primeira resposta para criticar a ausência de Lula. — Lula deveria estar aqui para responder sobre educação: 95% dos nossos jovens não aprendem matemática quando terminam o ensino médio. Isso pode condená-los a vida toda a não ter gestão financeira e debater ideias adequadamente — afirmou. Ao longo do debate, a decisão do petista de não ir ao encontro e conceder uma entrevista a um outro canal de televisão foi alvo de críticas dos presentes. Cury se disse "indignado" com a situação e afirmou se tratar de um "um desrespeito com a democracia". Ao falar do tema, Renan Santos se referiu ao presidente como "aquele bêbado" e "safado". Após as declarações iniciais, os candidatos fizeram perguntas uns aos outros, bloco que foi aberto por Renan Santos com uma pergunta direcionada a Augusto Cury sobre a persistência no voto no adversário petista. O escritor respondeu com um tom crítico à polarização. — O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado. Venderam uma ideia mentirosa que estamos em dois barcos. Estamos em um barco só, nem de direita nem de esquerda. O barco se chama família brasileira. E 90% das dores não tem cor partidária — diz Cury, que em seguida começou a falar de violência contra mulheres, desemprego de jovens e impactos da IA sobre o mercado de trabalho. Segurança Pública Um dos temas retomados mais de uma vez ao longo do debate foi o combate ao crime. No início do debate, Renan Santos foi instado por jornalistas a apresentar três propostas para a área da segurança pública. O candidato do Missão disse que, caso eleito, ele irá declarar estado de defesa e decretar Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas tomadas pelo crime organizado. — Vai permitir por parte das forças de segurança, tanto as nossas polícias quanto a polícia federal, atuar para destruir para eliminar o crime organizado. Eu estou falando de passar rapa nesses caras — disse Renan Santos, antes de acrescentar que inclui também em suas propostas a construção de super-presídios e uma política de integração entre estados — Estado que não quiser atuar na destruição do crime organizado, sofrerá intervenção do governo federal. No bloco seguinte, Augusto Cury fez uma pergunta sobre segurança pública a Ronaldo Caiado. Em um momento de troca de afagos, os dois médicos se cumprimentaram como colegas de profissão, e Cury se referiu ao adversário como "xerife" e o convidou para fazer parte de um eventual governo seu. O escritor questionou o ex-governador de Goiás sobre violência contra mulheres. — Quando eu cheguei no governo tinha aquela tese que dizia que briga de homem com mulher não se mete a colher. Em Goiás meti algema, meti tornozeleira no covarde — disse Caiado, prometendo que, caso eleito, trará outros segmentos da sociedade para tratar do tema — Colocam a responsabilidade só na segurança pública. Nós temos que agregar a ela também todos os segmentos da sociedade. Todos aqueles que realmente sabem que precisa de ser avisado a polícia antes. Buscar a Defensoria Pública, o Ministério Público, trazer também as ONGs e as entidades de classe. No bloco seguinte, Caiado foi novamente questionado sobre o tema e discorreu e falou do domínio territoral de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre determinadas regiões do país, como a Amazônia. — Essa é a situação que chegou da convivência do atual governo com as facções criminosas no Brasil. Quando você se ajoelha para o crime, ele cresce — disse Caiado, que falou em seguida sobre a sua experiência no governo de Goiás — Nós temos que ter uma estrutura. Em primeiro lugar, inteligência artificial, segundo lugar, batalhões bem treinados, integração das nossas forças e não vou tirar autoridade de nenhum governador. Pelo contrário, eu vou aumentar. Fim da escala6x1 Os candidatos também abordaram o debate que envolvem o fim da escala 6x1, tema que é tratado pelo governo federal como uma de suas principais pautas no Congresso Nacional. O tema surgiu após Renan Santos ser questionado por uma jornalista. O candidato do Missão se mostrou crítico à mudança na legislação trabalhista: — Alguém chega para você e fala: 'Você vai trabalhar menos, menos'. Esse mesmo cara falou que você a comer mais picanha. Esse mesmo cara, na maior tranquilidade, falou que ia taxar as bluzinhas e os eletrônicos e você não ia pagar o preço. Você acredita? Quando a esmola é demais, o santo desconfia — respondeu Renan Santos, que acrescentou — Não acredite nesses políticos, estão dizendo que você vai trabalhar menos e ganhar mais num país. Está todo mundo quebrando. Este é um cenário desesperador para o nosso país. Em seguida, Renan Santos disse que fará, em um eventual governo, "reformas de competividade", com alterações na legislação trabalhistas para facilitar a contratação e reduzir impostos que incidem sobre salários. Augusto Cury foi escolhido para comentar a fala do adversário e se mostrou favorável ao fim da escala 6x1. — 30% dos trabalhadores do Brasil estão com síndrome de burnout, estresse profissional, dores de cabeça Dores musculares, autocobrança, cobrança excessiva. A escala 5 por 2 atende a necessidade dos trabalhadores — respondeu Cury, que disse em seguida: — Eles vão poder ter mais tempo com a família, mais qualidade de vida e consequentemente produzirão mais. A escala 6 por 1 atende determinados setores da economia. O que nós temos que fazer, na minha opinião, é ajustar para atender a necessidade dos trabalhadores e também as necessidades das empresas. Relações Brasil-EUA Os candidatos também responderam questões sobre as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, que se encontram em crise desde o tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump no ano passado. Ainda no segundo bloco, Cury foi questionado por jornalistas sobre como lidaria com a relação comercial entre os dois países. Ele respondeu que os dois países devem ter "as melhores relações" — Mas os Estados Unidos, sem dúvida alguma, está passando por alguns problemas e que ninguém fala quase. Ele deve cerca de 40 trilhões de dólares, 122% mais ou menos do PIB. Por trás desse tarifaço, há um desespero enorme de resolver as contas públicas federais dos Estados Unidos. Mas nós não podemos ser subservientes — disse Cury, que afirmou ser capaz de "pacificar" a relação entre os dois países. Em outro momento, ele disse que terras raras, o agronegócio e energias renováveis são caminhos para o país ter "notoriedade e grandeza". Caiado foi o nome escolhido para comentar a fala do adversário. O ex-governador de Goiás afirmou que Lula "está doido para criar impasses" com o objetivo de ter ganhos eleitorais. Na avaliação de Caiado, o petista quer "desviar o foco da eleição": — O Itamaraty passou ser simplesmente porta-voz do PT. Isso é que eu vou recuperar no Brasil, ou seja, fazer com que o a chancelaria brasileira volte a saber fazer os acordos, poder debater com grande em grande nível e poder recuperar o Brasil.