Andy Burnham viaja na segunda-feira para Kiev, onde copresidirá sua primeira reunião da Coalizão de Voluntários — iniciativa europeia para manter o apoio ao país do Leste Europeu contra a Rússia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O novo premier do Reino Unido, Andy Burnham — Foto: Henry Nicholls/AFP O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, antecipou neste domingo que vai dar o aval para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações sigilosas sobre os componentes britânicos do míssil de longo alcance Scalp com a Ucrânia, durante uma reunião com aliados europeus em Kiev, na segunda-feira. O anúncio foi feito em um comunicado oficial divulgado por Downing Street, que confirmou que Burnham estará na capital ucraniana presencialmente para o encontro de líderes nesta segunda. O anúncio britânico é a segunda confirmação de apoio partindo de grandes aliados europeus de Kiev antes de uma reunião convocada pelo presidente Volodymyr Zelensky, com objetivo de discutir pontos cruciais do atual momento da guerra contra a Rússia. No sábado, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que Paris enviaria mísseis interceptadores aos parceiros no Leste Europeu, a fim de garantir a capacidade ucraniana de abater mísseis russos. No caso da ajuda mencionada por Londres, a capacidade compartilhada não tem intuito defensivo. O míssil de cruzeiro Scalp é a versão francesa do britânico Storm Shadow — já enviado a Kiev em outros pacotes de ajuda anteriores. Os equipamentos foram desenvolvidos com base em uma tecnologia franco-britânica compartilhada. Uma incorporação por Kiev poderia reforçar as capacidades do país em produzir projéteis de longo alcance, potencialmente aptos a atacar o território russo em profundidade. "O Reino Unido está hoje ao seu lado [Ucrânia] e seguirá estando pelo tempo que for necessário", indica um trecho do comunicado atribuído a Burnham. Em Kiev, o premier irá codirigir sua primeira reunião da Coalizão de Voluntários, que reúne os países que apoiam Kiev, com Macron e o chefe do governo alemão, Friedrich Merz. A França confirmou que a reunião será realizada em formato "híbrido", com alguns participantes em forma presencial e outros por videoconferência. O Reino Unido é um dos principais apoios da Ucrânia, e mobilizou cerca de 25 bilhões de libras (R$ 176 bilhões, na cotação atual) desde o início da invasão russa, em 2022, dos quais 16 bilhões de libras (R$ 112,6 bilhões) correspondem à ajuda militar. Kiev vem alertando sobre o recrudescimento da campanha militar russa. Em declarações no sábado, que foram publicadas apenas no domingo, Zelensky afirmou que Moscou se prepara para recrutar ao menos 300 mil novos soldados, com o objetivo de tomar militarmente a região de Donetsk, no leste do país. O presidente ucraniano também estimou que a indústria bélica russa tenha capacidade de produzir cerca de mil mísseis balísticos por mês, em um alerta sobre a necessidade de mais ajuda defensiva qualificada — uma vez que os modelos russos mais modernos somente são interceptáveis com uso de interceptadores Patriot, de fabricação americana, escassos no arsenal do país. Zelensky revelou ainda que a estratégia de defesa antiaérea ucraniana também está considerando ações ofensivas, apontando que os disparos com drones e outros projéteis estão mirando de forma prioritária as plataformas de lançamento de mísseis russas, a fim de evitar em antecipação os ataques que têm sido mais letais. — Quando nossas capacidades de defesa antibalística ficam limitadas, surge outra tática: localizar e atacar as posições próximas de onde os mísseis balísticos são lançados — disse a repórteres. (Com AFP)