Existem diversos tipos de dores no joelho e nem todas precisam de cirurgia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O tratamento para dores nos joelhos varia de acordo com o tipo — Foto: Magnific Depois das costas, os joelhos são a segunda região mais comum do corpo a apresentar dor crônica. Muitas pessoas terão dor no joelho em algum momento da vida, seja por lesões na cartilagem e nos tecidos moles durante a juventude e a prática de atividades físicas, seja pelo desgaste natural associado ao envelhecimento. Por ser a maior articulação do corpo, o joelho absorve impactos ao praticar esportes, subir escadas ou até mesmo entrar na cama. Esse estresse pode desgastar a articulação e, quando já existe alguma lesão, provocar dores que variam de um desconforto leve a uma condição incapacitante. A dor crônica pode ser particularmente desgastante, física, financeira e emocionalmente, afirma Matthew Abdel, cirurgião ortopedista da Mayo Clinic. Segundo ele, uma pessoa pode não dizer que o joelho está lhe causando sofrimento, mas ainda assim pensar constantemente no problema, mesmo quando fala sobre assuntos completamente diferentes. Felizmente, existem medidas que podem ajudar a controlar o desconforto, preservar a mobilidade e prevenir novas lesões. — Nem toda dor no joelho leva necessariamente à cirurgia — afirma Robert Turner, fisioterapeuta do Hospital for Special Surgery, em Nova York. Veja como distinguir os tipos mais comuns de dor no joelho e o que os especialistas recomendam para tratá-los. Causas comuns da dor no joelho A causa mais comum de dor crônica no joelho, especialmente em adultos com 55 anos ou mais, é a osteoartrite, também conhecida como artrose. Nessa condição, a cartilagem da articulação se desgasta e perde sua capacidade de absorver impactos. Isso provoca inflamação, episódios ocasionais de inchaço e dores que geralmente pioram com o passar do tempo, embora possam variar de intensidade de um dia para outro, explica Nicholas Scarcella, cirurgião ortopedista da Cleveland Clinic. A dor pode ser aguda ou pulsante e surgir em diferentes regiões do joelho, nas laterais ou sob a patela. Pessoas com osteoartrite costumam sentir rigidez pela manhã, que tende a melhorar ao longo do dia. Entre pessoas fisicamente ativas, lesões por sobrecarga também estão entre as causas mais frequentes de dor no joelho. Elas geralmente ocorrem após aumentos repentinos na intensidade, duração ou volume dos treinos. Corredores de longa distância, por exemplo, podem desenvolver a síndrome da banda iliotibial, causada por movimentos repetitivos e associada à dor na parte externa do joelho. Já a combinação de excesso de uso, fraqueza dos músculos da coxa, desalinhamento dos joelhos e lesões anteriores pode levar à síndrome da dor femoropatelar, conhecida como “joelho de corredor”, que provoca dor abaixo da rótula. A dor também pode surgir de forma repentina após uma queda, um acidente, durante a prática esportiva ou até mesmo ao se abaixar para cuidar do jardim. Nesses casos, costuma ser intensa e aguda. Uma das lesões mais comuns é a ruptura do menisco, estrutura cartilaginosa em forma de meia-lua que absorve impactos e ajuda a estabilizar o joelho. As rupturas geralmente ocorrem após movimentos de torção e podem causar dor intensa, inchaço e dificuldade para dobrar a articulação. — Normalmente é um episódio que a pessoa consegue lembrar exatamente quando aconteceu — afirma Scarcella. Outra lesão frequente é a entorse dos ligamentos, que ocorre quando um dos quatro principais ligamentos do joelho se estica além do limite ou se rompe. Entre os mais afetados estão o ligamento colateral medial (LCM) e o ligamento cruzado anterior (LCA). Em rupturas do LCA, muitas pessoas relatam ter ouvido ou sentido um estalo no momento da lesão. Como tratar dores causadas por sobrecarga e artrose Mesmo quando a dor surge gradualmente, vale a pena procurar um fisioterapeuta. Esse profissional pode identificar padrões de movimento que estejam contribuindo para o problema, como fraqueza nos quadris ou tendência de os pés se inclinarem para dentro durante a caminhada. Além disso, poderá indicar quando é necessário procurar um médico. Quando a dor é crônica e não decorre de uma lesão recente, fortalecer os músculos ao redor do joelho pode ser bastante eficaz para aliviar o desconforto e prevenir futuros episódios. Isso inclui músculos localizados acima da articulação, como glúteos, flexores do quadril, quadríceps e posteriores da coxa, e abaixo dela, como panturrilhas e músculos do tornozelo. No caso da síndrome da dor femoropatelar, fortalecer os quadríceps, os abdutores do quadril e a musculatura do core, além de alongar os quadríceps, pode ajudar. A prática de exercícios também pode reduzir a dor causada pela osteoartrite, com resultados comparáveis aos de analgésicos vendidos sem receita. Modalidades aeróbicas de baixo impacto, como ciclismo, natação e exercícios no elíptico, podem ser boas alternativas quando a atividade habitual provoca dor. Alguns estudos também sugerem que o uso de bandagens funcionais e de calçados estáveis e com bom suporte pode ajudar a reduzir o desconforto. Se mudanças no estilo de vida e medicamentos orais não forem suficientes, o médico pode recomendar infiltrações com corticosteroides. Essas aplicações podem aliviar a dor por algumas semanas, mas não são indicadas para uso frequente. As evidências sobre infiltrações com ácido hialurônico são contraditórias, mas alguns médicos afirmam que elas podem beneficiar pacientes com artrose menos avançada que não responderam a outros tratamentos. Também há profissionais que recomendam aplicações de plasma rico em plaquetas para determinados pacientes. No entanto, esses procedimentos podem ser caros e não demonstraram capacidade de regenerar a cartilagem, afirma Joanne Borg Stein, diretora de medicina regenerativa da Mass General Brigham. Quando diversos tratamentos já foram tentados e a dor continua prejudicando a qualidade de vida, o médico pode indicar a cirurgia de substituição do joelho. Como tratar lesões Em casos de lesões agudas, Turner recomenda interromper imediatamente a atividade que causou a dor e aplicar gelo em toda a circunferência da articulação, e não apenas na parte frontal do joelho. Analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno, ou medicamentos tópicos também podem ajudar. Algumas lesões, como rupturas do LCA ou do menisco, podem exigir cirurgia em determinados pacientes. Segundo Turner, é importante procurar atendimento médico se o joelho apresentar instabilidade, se houver dor súbita e intensa, dificuldade para subir ou descer escadas ou incapacidade de caminhar mais de quatro passos sem dor. Stein acrescenta que febre não deve ser ignorada, pois pode indicar infecção. Também merecem atenção dores que pioram progressivamente, se concentram diretamente sobre o osso ou interrompem o sono. Como manter os joelhos saudáveis Muitos fatores de risco para dor no joelho estão fora do nosso controle, afirma Abdel. Não é possível mudar a idade ou a genética, por exemplo. Por outro lado, manter um peso saudável pode ajudar a reduzir a carga sobre as articulações. A cada passo, o joelho suporta um impacto equivalente a duas ou três vezes o peso corporal. Manter-se fisicamente ativo também é fundamental. Embora exista a crença de que certos exercícios prejudicam os joelhos, a perda de massa muscular causada pelo sedentarismo pode aumentar o risco de desenvolver osteoartrite no futuro. Mesmo para quem já tem artrose, permanecer flexível e forte, adotar uma alimentação equilibrada e descansar adequadamente pode melhorar significativamente a capacidade funcional e reduzir os sintomas. — Mesmo que não possamos evitar completamente o problema, certamente podemos administrá-lo de forma proativa — conclui Borg Stein.