Entre os mortos estariam pelo menos três mulheres e outras 20 pessoas ainda ficaram feridas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vítimas do bombardeio no mosteiro budista de Swel Le Oh, onde pelo menos 100 pessoas participavam de um retiro — Foto: Reprodução/X/ThomasVLinge Um ataque aéreo militar atingiu um mosteiro budista e matou 14 pessoas na região central de Mianmar nesta sexta (21), informou um grupo de oposição e um morador à rede de televisão catari Al Jazeera. Veículos locais e a BBC também falam em 10 a 14 vítimas. Mais de 100 pessoas estavam reunidas no mosteiro para um evento religioso no vilarejo de Swel Le Oh, no distrito de Myaung, a 75 km de Mandalay – a segunda maior cidade do país. Nway Oo, porta-voz da Organização de Segurança e Defesa Civil de Myaung (CDSOM), afirmou à Al Jazeera que um caça foi responsável pelo ataque. Entre os mortos estariam pelo menos três mulheres. Outras 20 pessoas ainda ficaram feridas, estima a CDSOM. O retiro, que duraria uma semana, marcava para os mortos e feridos uma parte da "quaresma budista", oficialmente conhecida como Vassa. Um morador do vilarejo, que pediu para não ser identificado, contou à agência Associated Press que duas bombas foram lançadas sobre o vilarejo em apenas 15 minutos. Sua sogra morreu no ataque. As Forças Armadas não comentaram o ataque, mas já alegaram anteriormente que só atacam "alvos legítimos". Mianmar passa por uma guerra civil desde que o Exército do país tomou o poder do governo eleito em fevereiro de 2021. Aung San Suu Kyi, ex-conselheira de Estado de Mianmar – cargo equivalente ao de um primeiro-ministro – e vencedora do prêmio Nobel da Paz segue presa, aos 81 anos, desde que os militares tomaram o poder. Ela foi movida para prisão domiciliar em abril. Os militares suprimiram com violência quaisquer protestos pacíficos desde sua ascensão. Por isso, alguns opositores resolveram partir para a resistência armada – seus grupos já controlam 42% do país, contra 21% do governo militar, segundo a BBC. O think tank americano Council on Foreign Relations estima que a guerra civil já tenha matado mais de 100 mil pessoas e feito 5,2 milhões de refugiados. A região de Sagaing, onde fica Myaung, é um polo da resistência armada contra a junta militar – e por isso alvo fácil para ataques aéreos. O país passou por eleições legislativas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), as hostilidades crescentes aumentaram também o número de bombardeios desde então.