O regime da Venezuela não fez qualquer menção à libertação do ditador deposto Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos, durante quase duas semanas de negociações com a oposição neste mês —o sinal mais claro até agora de que as autoridades do país o abandonaram à Justiça americana.

Em janeiro, a líder interina, Delcy Rodríguez, classificou a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, como um caso de "agressão vil". Seu irmão Jorge Rodríguez, líder do Parlamento venezuelano, afirmou que eles "não descansarão" até que Maduro seja libertado da prisão no Brooklyn, onde responde a acusações relacionadas ao tráfico de drogas.

Mas o regime de Delcy, apoiado pelos EUA, surpreendeu a oposição ao nem sequer apresentar essas exigências durante as cinco rodadas de negociação, encerradas na semana passada, segundo várias pessoas presentes ouvidas pelo jornal Financial Times.

A Casa Branca apoia Delcy, ex-vice de Maduro, desde que militares americanos capturaram o ditador em uma operação noturna ousada em 3 de janeiro. Em troca, ela abriu os vastos recursos naturais do país a investidores estrangeiros, dando a empresas dos EUA acesso às reservas de petróleo venezuelanas.

A primeira rodada de negociações com a oposição tinha como objetivo chegar a um acordo sobre as medidas necessárias para uma nova eleição presidencial, mas produziu poucos resultados concretos.