Montante representaria menos de 20% dos mais de US$ 4 bilhões que, segundo a organização, Washington devia devia em maio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, em 23 de setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Mike Segar/Foto de arquivo O governo Trump informou ao Congresso que pretende pagar US$ 725 milhões às Nações Unidas, segundo uma notificação ao Legislativo vista pela Reuters, em uma medida que especialistas em ajuda humanitária classificaram como um passo bem-vindo para o pagamento de bilhões de dólares em contribuições em atraso. O governo tem criticado a organização internacional por não corresponder ao seu potencial e reduziu drasticamente o financiamento destinado a diversas agências da ONU. Questionado sobre o pagamento planejado, um funcionário americano afirmou que qualquer repasse estará condicionado à continuidade das reformas na organização e acrescentou que, até esta sexta-feira, os EUA não haviam transferido nenhum recurso. A destinação dos recursos — mencionada em uma carta de notificação do Departamento de Estado ao Congresso, datada de 4 de agosto e ainda não divulgada anteriormente — ocorre antes de um esperado discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no próximo mês. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou neste ano que a organização enfrentava um “colapso financeiro iminente” devido às contribuições não pagas pelos Estados-membros, e a entidade promoveu grandes cortes orçamentários. “Nos últimos seis meses, os EUA conseguiram reformas históricas em toda a ONU, incluindo o primeiro corte real no orçamento da ONU em sua história, resultando em quase US$ 1 bilhão em reduções”, afirmou por e-mail um funcionário do Departamento de Estado, em resposta a perguntas da Reuters sobre o pagamento. Em abril, a Devex, agência de notícias especializada em desenvolvimento, informou que os EUA haviam estabelecido condições específicas para a liberação dos recursos, como novos cortes de custos e medidas para conter a influência da China. O governo Trump promoveu uma redução sem precedentes do governo federal, sob o argumento de que a máquina pública estava inchada, e reduziu significativamente verbas destinadas a programas nacionais e internacionais, em um esforço que, segundo o governo, busca direcionar recursos a iniciativas alinhadas aos interesses dos contribuintes americanos. Os US$ 725 milhões representariam menos de 20% dos mais de US$ 4 bilhões que, segundo a ONU, os EUA lhe deviam em maio, embora Washington tenha afirmado que o valor total é muito menor e que já realizou alguns pagamentos. Eugene Chen, ex-funcionário da ONU, afirmou que uma transferência desse porte ajudaria a pagar os salários da organização por algum tempo, embora talvez não fosse suficiente para cobrir todos eles. “Isso mantém o navio à tona por mais um pouco”, disse. “Se os EUA não fizerem novos pagamentos, provavelmente perderão seu direito a voto em janeiro”, acrescentou. Segundo o Artigo 19 da Carta das Nações Unidas, um Estado-membro perde o direito a voto na Assembleia Geral se suas contribuições em atraso ultrapassarem o valor correspondente a dois anos de pagamentos, apesar de ser possível conceder exceções. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 23 de setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Al Drago/Foto de arquivo Uma transferência significativa agora poderia evitar a necessidade de cortes imediatos de gastos, afirmou Ronny Patz, especialista em finanças da ONU do instituto de pesquisa alemão IDOS. “Se eles pagarem uma parcela grande, a ONU continuará operando sem reservas, mas conseguirá chegar ao fim do ano”, disse Patz. “Se não pagarem, a ONU poderá realmente enfrentar dificuldades nos últimos dois ou três meses do ano para pagar salários e manter suas atividades funcionando.” Os EUA são o maior contribuinte para o orçamento da ONU, mas, sob o governo Trump, recusaram-se a fazer pagamentos obrigatórios aos orçamentos regular e de operações de manutenção da paz e reduziram drasticamente as contribuições voluntárias para agências da ONU que possuem orçamentos próprios. Washington também se retirou de dezenas de agências da ONU e de outras organizações internacionais. A ONU esperava arrecadar cerca de 90% das contribuições de seus 193 membros para o orçamento deste ano, afirmou no mês passado o controlador da organização, Chandramouli Ramanathan. Até 18 de agosto, cerca de 129 membros haviam quitado integralmente suas contribuições, segundo um documento da ONU. A China, segunda maior contribuinte depois dos Estados Unidos, também não aparecia na lista. O Departamento de Estado afirmou em sua carta de 4 de agosto que estava destinando um total de US$ 725 milhões ao orçamento regular da ONU. Em maio, a ONU afirmou que os mais de US$ 4 bilhões devidos por Washington incluíam US$ 2,04 bilhões para o orçamento regular, US$ 2,2 bilhões para missões de manutenção da paz atuais e anteriores e US$ 44 milhões para tribunais da ONU. Washington não transferiu cerca de US$ 153,4 milhões no que classifica como “retenções baseadas em políticas”. O montante inclui US$ 10,6 milhões destinados ao Conselho de Direitos Humanos — do qual Washington se afastou no ano passado, alegando viés contra Israel — e recursos para a agência da ONU para refugiados palestinos. A instituição, que completa 80 anos, vem passando por um processo de reformas e redução de custos conhecido como “UN80” em meio à crise financeira. A ONU já reduziu seu orçamento de 2026 em 9,2% e transferiu mais de 2 mil postos de trabalho de cidades de alto custo, como Genebra e Nova York, para localidades mais baratas.
EUA planejam pagar parcela de US$ 725 milhões de dívida bilionária com a ONU
Montante representaria menos de 20% dos mais de US$ 4 bilhões que, segundo a organização, Washington devia devia em maio










