Comissão de Corridas encerrou a apuração sem identificar conduta passível de punição; corpo do jóquei será velado e sepultado nesta sexta-feira, em Recife 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Leandro Henrique com a filha; jóquei morreu na madrugada desta quarta-feira (19), aos 27 anos, após sofrer uma queda de cavalo durante corrida na Gávea — Foto: Reprodução/@jockeyclubbrasileiro A Comissão de Corridas do Jockey Club Brasileiro concluiu a sindicância aberta para apurar as circunstâncias do acidente que matou o jóquei Leandro Henrique, de 27 anos, durante o segundo páreo do último domingo (16), no Hipódromo da Gávea, na Zona Sul do Rio. Segundo o Jockey, a apuração foi encerrada sem punição a nenhum dos profissionais envolvidos, após a comissão entender que não houve dolo durante o percurso. O acidente aconteceu durante uma corrida, no último dia 16, na Gávea. Leandro caiu e sofreu ferimentos graves. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu na madrugada de quarta-feira (19). De acordo com o Jockey Club Brasileiro, as corridas são acompanhadas pelos Comissários de Corridas, responsáveis por fiscalizar a condução dos profissionais e analisar eventuais ocorrências, inclusive por meio das imagens dos páreos. O regulamento prevê punições em casos de imperícia, negligência ou imprudência. Leandro Henrique comemora a vitória de Passion of Detail com a equipe do Haras Santa Maria de Araras — Foto: Arquivo Pessoal O clube informou ainda que, em 2026, antes da morte de Leandro, não havia registro de outro acidente durante corridas no Hipódromo da Gávea que tivesse provocado a morte de um profissional do turfe. O episódio anterior com desfecho semelhante ocorreu em dezembro de 2025, quando morreu o aprendiz Joaquim Pavoski Dapper. Despedida na Gávea Leandro foi velado na tarde desta quinta-feira (20), no Salão de Apostas do Jockey Club, na Gávea. O espaço, segundo a companheira do jóquei, a também profissional do turfe Victoria, ficou lotado durante a despedida. O pai e a irmã de Leandro viajaram de Recife, cidade natal do jóquei, para participar do primeiro velório. Depois, retornaram para Pernambuco, onde será realizada uma nova cerimônia nesta sexta-feira (21). — Foi tudo com muita emoção, muito tocante. A gente recebeu pessoas lá que a gente nem imaginava que iriam. Recebi muito apoio. O pai e a irmã dele vieram de Recife para participar desse primeiro momento e já voltaram para lá para o segundo velório e para o sepultamento — contou Victoria. Leandro Henrique com a bandeira de Pernambuco após a vitória no Grande Prêmio Brasil de 2025, montando o cavalo Sinsel — Foto: Arquivo pessoal O velório em Recife está marcado para as 13h30 desta sexta-feira, no Cemitério Parque das Flores, no bairro Curado. O sepultamento será às 16h30. Victoria agradeceu publicamente às pessoas, entidades e colegas que prestaram apoio à família desde a morte do jóquei. — Está sendo muito difícil para mim. Não aguento mais sofrer. Só tenho a agradecer a todos que estiveram lá, todos os amigos e entidades que enviaram coroas de flores, as associações e os Jockey Clubes. Foi tudo muito emocionante, muito tocante — afirmou. Filha ainda não entende a perda Leandro deixou uma filha, Manoela, de apenas 1 ano. Segundo Victoria, a menina ainda é muito pequena para compreender que não verá mais o pai. — Ela não sabe, não tem esse entendimento ainda de que não vai mais vê-lo. Ela ainda não pergunta por ele. Quando o via, conseguia identificá-lo e era muito apegada. Quando eu falava “vamos ver seu pai” ou “vamos ligar para o papai”, ela repetia “papai” — contou. A companheira disse que pretende preservar a memória de Leandro na criação da filha e buscar orientação profissional para explicar a perda quando ela tiver idade para compreender o que aconteceu. — Eu sempre vou falar do pai dela. Vou mostrar fotos dele, falar “olha aqui o papai”, posso até colocar vídeos para ela e falar “olha seu pai aí passando na TV”. Em algum momento, vou procurar ajuda psicológica para entender melhor como isso deve ser abordado com ela — afirmou. Victoria também destacou que o primo de Leandro, padrinho da menina, deve ter uma presença ainda maior na vida da criança, assim como o avô materno. A preocupação se estende à afilhada de Leandro, filha de seu primo, que tem 3 anos. A menina também era muito próxima do jóquei, mas ainda não foi informada sobre a morte. — Ela ainda acha que ele está no hospital. Eu dei a mesma orientação para o pai e para a mãe dela: procurar ajuda psicológica e conversar com a escola para abordar esse assunto da melhor forma. A gente não quer que ela saiba dessa forma, que outra criança fale de uma maneira crua — explicou Victoria. Homenagem no Maracanã Além das despedidas no Rio e em Recife, Leandro será homenageado no Maracanã no próximo domingo (30). A homenagem póstuma será realizada pelo Jockey Club Brasileiro em conjunto com o Flamengo durante a partida contra o Botafogo. Torcedor do Flamengo, Leandro vivia um dos melhores momentos de sua carreira antes do acidente. Pernambucano, era considerado um profissional querido pela comunidade do turfe. Para Victoria, o apoio recebido desde a morte do companheiro tem sido importante diante do momento de dor. — Ainda estou muito sem chão, muito sem objetivo. Está sendo muito difícil. Mas estou tentando me manter forte pela nossa filha. A vida não para, né? — disse.