Medida começa em setembro e obriga ciclistas a descerem das bicicletas em cerca de 30 ruas; decisão provoca reação de moradores, grupos de ciclistas e políticos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cidade de Como, na Itália, e prefeito Alessandro Rapinese — Foto: Reprodução O prefeito de Como, na Itália, Alessandro Rapinese, proibiu a circulação de bicicletas e bicicletas elétricas em cerca de 30 ruas do centro histórico da cidade depois de ter sido atingido por uma e-bike. A medida entra em vigor em setembro e determina que ciclistas desçam dos veículos e os conduzam a pé pelas áreas afetadas. Rapinese foi atingido por uma bicicleta elétrica quando deixava a sede da prefeitura, em julho. Segundo o prefeito, ele sofreu contusões, mas não precisou ser hospitalizado. O ciclista envolvido na colisão não foi identificado. — Fui acusado de adotar essa medida porque fui atingido por uma bicicleta elétrica; certamente. As pessoas agem com base nas próprias experiências, e eu sei como é ser atingido por uma dessas feras — disse Rapinese à agência italiana Ansa. O prefeito afirma, no entanto, que a decisão foi motivada por questões de segurança pública, especialmente em uma região histórica que recebe grande quantidade de turistas. As novas regras fazem parte de um pacote mais amplo de alterações no trânsito do centro de Como, que também estabelece controles mais rígidos para carros, vans e veículos de entrega. A restrição vale tanto para bicicletas convencionais quanto elétricas porque o Código de Trânsito italiano não faz distinção entre os dois modelos. Segundo Rapinese, entre 80% e 90% da área de tráfego limitado do centro histórico continuará acessível aos ciclistas. Críticas à decisão As ruas atingidas pela proibição estão entre as mais largas da região e são utilizadas por entregadores para chegar a lojas e restaurantes. Críticos afirmam que a medida pode dificultar o trabalho desses profissionais e restringir o acesso a um meio de transporte de baixo custo e com menor impacto ambiental. A decisão provocou reação de moradores, grupos de ciclistas e políticos de diferentes correntes. Uma petição on-line foi criada para tentar impedir a entrada em vigor da medida, e o grupo cívico "Nova Como" também organizou um passeio de bicicleta de protesto para 12 de setembro. Vincenzo Falanga, presidente da entidade, acusou a administração municipal de transformar problemas individuais em questões coletivas. O partido de centro-esquerda Democrático em Como também criticou a decisão e afirmou que a cidade precisa de um sistema de mobilidade que garanta a segurança dos pedestres sem prejudicar moradores, trabalhadores e usuários de meios de transporte sustentáveis. Paolo Emilio Russo, político do partido de direita Forza Italia, disse compreender o episódio envolvendo o prefeito, mas classificou a proibição como "louca". Vila na Itália oferece até R$ 126 mil para atrair novos moradores 1 de 10 Vila na Toscana, na Itália, oferece até R$ 126 mil para atrair novos moradores — Foto: Reprodução 2 de 10 Além da ajuda, novos residentes podem receber até 6 mil euros adicionais para cobrir despesas — Foto: Reprodução/Comune di Radicondoli X de 10 Publicidade 10 fotos 3 de 10 O plano, iniciado em 2023, previa apoio financeiro para a compra de imóveis desocupados — Foto: Reprodução 4 de 10 Famílias jovens, profissionais liberais e empreendedores com planos de residência permanente têm prioridade no processo — Foto: Reprodução/Comune di Radicondoli X de 10 Publicidade 5 de 10 A partir de 2025, a prefeitura passou a incluir também subsídios para locatários, cobrindo até 50% do valor do aluguel durante os dois primeiros anos de contrato — Foto: Reprodução 6 de 10 Plano já destinou mais de 400 mil euros em ações para atrair moradores e dinamizar a economia local — Foto: Reprodução X de 10 Publicidade 7 de 10 Localizado entre colinas da Toscana e cercado por vinhedos, Radicondoli tem pouco mais de 900 habitantes e enfrenta, como muitos vilarejos italianos, o envelhecimento da população e o esvaziamento de suas áreas residenciais — Foto: Reprodução 8 de 10 O programa segue em vigor até o início de 2026, e a prefeitura mantém um canal aberto para receber interessados por meio do site oficial do município — Foto: Reprodução X de 10 Publicidade 9 de 10 Programa também contempla apoio a estudantes, subsídios para transporte público e incentivos à adoção de fontes de energia limp — Foto: Reprodução/Comune di Radicondoli 10 de 10 Região é marcada pelo envelhecimento da população e pelo esvaziamento de áreas residenciais — Foto: Reprodução/Comune di Radicondoli X de 10 Publicidade Novos residentes podem receber até 6 mil euros adicionais para despesas Rapinese, porém, mantém a decisão. Em um vídeo publicado em uma série on-line produzida por ele próprio, o prefeito citou outros acidentes envolvendo bicicletas e pedestres para defender as novas regras. — Em outras cidades, uma criança acaba no hospital, e então os políticos tomam medidas. Aqui, eu nem cheguei ao hospital. Fui atingido por uma bicicleta, reuni informações e foi daí que surgiu essa medida — afirmou. O centro histórico de Como, cidade às margens do Lago de Como, já possui uma Zona de Tráfego Limitado (ZTL). As novas regras também exigirão que alguns veículos tenham uma autorização anual e um pagamento de € 3 (cerca de R$ 18) para cada dia de entrada. As entregas para lojas e restaurantes serão permitidas apenas entre 6h e 23h. Turistas hospedados em hotéis só poderão entrar de carro no centro caso o estabelecimento tenha estacionamento. Como recebe cerca de 1,4 milhão de visitantes por ano. A cidade não é a primeira da Itália a restringir bicicletas em áreas históricas ou movimentadas. Em Palermo, trechos de vias principais têm limitações para bicicletas desde 2023. Em 2022, Como também proibiu o uso de patinetes elétricos alugados no centro histórico.