Acidente com dez mortes na Serra de Petrópolis expõe falta de coordenação entre órgãos públicos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ônibus que tombou na descida da Serra de Petrópolis, Região Serrana do Rio — Foto: Divulgação/ Corpo de Bombeiros/16/08/2026 O acidente com um ônibus fretado em Belo Horizonte que se aproximava de forma ilegal do Rio na manhã de domingo causou dez mortes, deixou 25 feridos e expôs falhas inaceitáveis de fiscalização, como resultado da falta de coordenação entre os órgãos públicos encarregados de manter a segurança do tráfego e dos passageiros. O acidente ocorreu na pista de descida da Serra de Petrópolis, no quilômetro 91. É um local onde veículos tendem a ganhar velocidade, exigindo prudência dos motoristas. Ainda havia por lá um trecho em obras. De acordo com depoimentos de sobreviventes, o motorista dirigia em alta velocidade e perdeu o controle do ônibus, que tombou na pista. Não se trata, infelizmente, de episódio isolado. Embora o número de acidentes com ônibus nas rodovias federais tenha caído de 3.690 em 2016 para 2.128 em 2025 (42%), a queda nas mortes foi bem menor, de 440 para 377 (14%), de acordo com as estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Esses números não discriminam, porém, se o ônibus envolvido operava legalmente, nem levam em conta as tragédias nas estradas municipais ou estaduais. E, mesmo assim, revelam mais de uma morte por dia. É evidente que o transporte clandestino de passageiros traz mais riscos. Ainda que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informe que, nos últimos 12 meses, 22.644 ônibus tenham sido abordados no Rio e em Minas, os mecanismos de inspeção têm sido insuficientes para coibir as ilegalidades. “A fiscalização é majoritariamente reativa e pontual, não é preventiva. Muitas vezes, a irregularidade só é identificada durante a viagem ou depois de um acidente”, diz Letícia Pineschi, diretora-geral da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros. Cabe à ANTT a fiscalização das empresas de transporte. Toda empresa que faz fretamento de ônibus precisa de autorização da ANTT. Para cada viagem, é necessária uma licença específica, com a relação dos passageiros — algo que não havia no ônibus acidentado. Nenhuma das empresas a que ele estava associado tem autorização para transporte interestadual. Não há, contudo, cooperação eficaz com os policiais rodoviários. Quando para um ônibus na estrada, a PRF apenas verifica se o veículo está em condições de trafegar, analisa os documentos, confere se o motorista respeita as regras de conduta no trânsito e inspeciona para ver se transporta armas ou drogas. Mas a PRF não impede a viagem de seguir se o veículo não cumpre as normas da ANTT — um estímulo às viagens clandestinas. Uma fiscalização mais rigorosa, com a cooperação da PRF, certamente contribuiria para poupar vidas.
Fiscalização falha de ônibus fretados contribui para tragédias nas rodovias
Acidente com dez mortes na Serra de Petrópolis expõe falta de coordenação entre órgãos públicos








