Em sabatina do GLOBO, CBN e Valor, governador citou projeto de presidenciável do PL, que prega que líder do Planalto fique inelegível para o mesmo cargo no mandato subsequente. Ele minimizou próxima campanha, em que é cotado ao cargo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na sabatina de O GLOBO, CBN e Valor Econômico — Foto: Maria Isabel Oliveira/O GLOBO O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, candidato a um novo mandato pelo Republicanos, afirmou nesta quinta-feira (20) que o senador Flávio Bolsonaro, postulante à Presidência da República pelo PL, vai "honrar" o fim da reeleição caso seja eleito. Mesmo na condição de candidato que busca mais quatro anos à frente do governo paulista, Tarcísio defendeu o fim da medida para cargos no Executivo, ao comentar uma promessa de Flávio nestas eleições, e pediu a formação de um consenso para executar uma “reforma mãe”, como classifica mudanças nas leis que regem a política. – O Flávio procurou fazer um gesto, ser signatário de uma emenda de fim da reeleição (...), porque alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente pensa: ‘tenho que me reeleger, não posso fazer isso, é impopular’. A gente precisa de pessoas que tomem o desgaste, que façam aquilo que precisa ser feito. Acredito que Flávio, caso seja eleito, vai honrar (o fim da reeleição), até porque ele é signatário da PEC – afirmou Tarcísio. A fala ocorreu durante sabatina realizada pelos jornais O GLOBO e Valor e da Rádio CBN, realizada nos estúdios da emissora, na Zona Oeste da capital. A condução da entrevista é feita por Vera Magalhães, colunista de O GLOBO, Marcello Corrêia, editor de Política do Valor, e Guilherme Muniz, apresentador do matinal “CBN São Paulo”. No dia anterior, Fernando Haddad (PT) foi o sabatinado, também na sede da Rádio CBN. Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho. Em fevereiro deste ano, Flávio Bolsonaro defendeu uma proposta em que o presidente da República passaria a ficar inelegível para o mesmo cargo no mandato subsequente, restabelecendo o modelo anterior à emenda constitucional de 1997, que instituiu a reeleição no país. Na justificativa, o senador argumentou que o atual sistema cria um “estado permanente de eleição”, incentivando governantes a subordinarem decisões administrativas à lógica eleitoral e enfraquecendo o princípio da alternância de poder. Porém, três meses depois, o senador citou, em evento em Santa Catarina, que, caso seja eleito, seu governo pode durar até oito anos. – O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello, governador de SC], seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias– afirmou o senador, na ocasião. Dias depois, questionado por jornalistas, Flávio voltou ao tema e disse que teve a fala distorcida. – Eu sou contra a reeleição, mas eu acho quatro anos muito pouco para um mandato só. Isso vai ser uma discussão que vai ter no Congresso. Eu não quero a reeleição. Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Eu acredito que ela vai ser aprovada, mas convenhamos, quatro anos acho muito pouco para um mandato só para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar – afirmou. Tarcísio na corrida à reeleição Na corrida à reeleição, Tarcísio, ao contrário de quatro anos atrás, depende cada vez menos do chamado "bolsonarismo raiz". No discurso de sua convenção, realizada no início do mês, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, o candidato evitou temas polêmicos (citou Jair Bolsonaro apenas uma vez, ao dizer que o ama) e focou em suas realizações, como a privatização da Sabesp e a entrega de obras que estavam prometidas havia anos, como o Rodoanel e a ampliação do Metrô. Outra diferença em relação à campanha de 2022 é o número de partidos que o apoiam. Serão 12 legendas: PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante, Podemos, PP, União Brasil e MDB, além do próprio Republicanos. Com uma ampla frente partidária, o governador conseguir diminuir o rol de concorrentes, o que pode facilitar sua busca pela reeleição. Segundo o último levantamento da Quaest, divulgado no fim do mês passado, o governador lidera as intenções de votos com 15 pontos a mais que Haddad. São 41% para Tarcísio, ante 26% para o petista. Os outros três candidatos, juntos, somam cinco pontos. A margem de erro é de dois pontos percentuais. 'A pauta da mulher está muito em alta' Também ao contrário da última campanha estadual, um dos principais temas que já abordados pelos dois candidatos, a violência contra a mulher, fez parte do primeiro discurso de Tarcísio no início oficial da corrida eleitoral, domingo (16), em Osasco, na Região Metropolitana. – Eu acho que é simbólico. A pauta da mulher está muito em alta e vai dominar os debates. A segurança da mulher, o empreendedorismo, a saúde. Eu quero que elas tenham confiança naquilo que está no plano de governo – disse o governador, no início da semana.