Expectativa do setor é que taxa fique acima de 80% em setembro, com picos superiores a 90%, bem acima da média histórica para o mês 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rock in Rio é visto como um evento 'fundamental' para a hotelaria da cidade, uma vez que ocorre fora da alta temporada — Foto: Divulgação/Rock in Rio A menos de um mês do Rock in Rio, festival de música e entretenimento que começa em 4 de setembro, a hotelaria da capital fluminense vive expectativa de aumentos na ocupação e no valor de diária média. A taxa de ocupação hoteleira média no próximo mês deve ficar acima de 80%, com “picos” superiores a 90% nas duas semanas do festival, projetou a HotéisRio, sindicato dos meios de hospedagem do Rio. Essas taxas são equivalentes às registradas em temporadas de Ano Novo, disse Alfredo Lopes, presidente da HotéisRio. Bandeiras hoteleiras ouvidas pelo Valor também foram unânimes em apontar o festival como impulsionador de rentabilidade. “O Rock in Rio é fundamental para hotelaria na cidade, e ocorre justamente em mês que não é alta temporada”, completou Lopes. Normalmente em meses de setembro, sem o evento, a taxa de ocupação média mensal hoteleira gira entre 65% e 70%, explicou o executivo. “Mas quando tem o Rock in Rio [normalmente realizado em setembro], temos [taxas de] ocupações de 80% a 85%. E, na região próxima ao Parque Olímpico [zona oeste, onde é o festival], fica lotado”, afirmou. Outro aspecto lembrado por Lopes é que o evento impulsiona ocupação não somente próxima ao festival. Nos últimos anos, disse, a mobilidade montada para atender ao evento melhorou. Isso permite que o público se hospede em diferentes locais da cidade. E, como o perfil de renda de público do festival é variado, a influência positiva abrange tanto bandeiras de luxo, quanto econômicas. Um exemplo do cenário traçado por Lopes é o Fasano, com 89 quartos na zona sul. O hotel registra 100% de ocupação durante o período do festival, desde 2011, informou o grupo. A avaliação de Lopes também foi comprovada no ritmo de reservas das unidades administradas pelo grupo gaúcho ICH Administração de Hotéis. No Rio, a rede conta com hotel de luxo Yoo2, com 143 quartos na zona sul, e o Intercity Porto Maravilha, na região portuária, com 225 quartos, de categoria intermediária — “midscale” no jargão do mercado. Ambos, com categorias diferentes e fora da região onde é realizado o festival, têm expectativa de ocupação em alta para setembro, informou o diretor comercial e de marketing do grupo, Marcelo Marinho. “Devemos ter incremento nos dois [hotéis, na taxa de ocupação] na faixa dos 15 pontos percentuais”, disse. O Yoo deve ter taxa em torno 75%, disse Marinho. “Mas o ‘Porto Maravilha’ deve lotar [no período do festival].” O festival também eleva a diária média do hotel, disse Marcelo Gorin, do Grupo City & Sea, que administra os hotéis “midscale” Ipanema Inn e Arpoador, na zona sul, com 56 e 49 acomodações, respectivamente. “Vamos ter aumento médio de 20% na diária média de setembro [ante meses de setembro sem festival]”, disse. Um ponto vantajoso para os hotéis, disse Gorin, é que o público do Rock in Rio vem com disposição para consumir. Isso gera maior demanda por alimentos e bebidas da unidade, bem como em serviços de spa, como massagens. Também atenta à procura por reservas em datas do festival, a Rede Windsor Hoteis elaborou campanha promocional. A rede oferece 10% de desconto nas reservas realizadas até 13 de setembro nas 15 unidades no Rio. “Assim como nas últimas edições, temos observado que a procura por hospedagem se intensifica nas semanas de realização dos shows”, disse Vitor Almeida, gerente de Marketing da Windsor. “Nossa expectativa para dias do festival é de repetir índices alcançados em 2024, quando chegamos a ocupação média de 80% na cidade.” Para Alexandra Bueno, gerente-geral do Grand Hyatt Rio de Janeiro, que tem 436 quartos na zona oeste da cidade, um evento da dimensão do Rock in Rio gera demanda positiva em relação a ocupação e diária médias, o que se reflete na rentabilidade da operação, incluindo a área de alimentos e bebidas. “Mais do que movimento pontual, enxergamos o Rock in Rio como importante indutor de negócios para o período”, disse. “E existe ainda ganho além da ocupação: o festival coloca a cidade no radar de pessoas que podem voltar, em outras ocasiões.” Omar Caffaro, vice-presidente de operações Accor Brasil para hotéis do Rio, concordou: “É um hóspede de lazer, que vai ficar no mínimo dois a três dias. Muitas vezes é a primeira vez desse turista no Rio e ele volta [aos hotéis da Accor]”, afirmou, e acrescentou que a empresa é marca apoiadora do evento. “Nós somos a rede oficial de hospedagem do Rock in Rio.” A Accor possui 22 hotéis nas divisões luxo (“premium”), intermediária (“midscale”) e econômica (“economy”) na cidade. Caffaro disse que, no caso das unidades Íbis e Novotel Rio de Janeiro Parque Olímpico, com respectivos 256 quartos e 149 quartos, próximas à “Cidade do Rock”, não descarta lotação esgotada nas semanas do evento. O vice-presidente lembrou que o “Rock in Rio” atrai público variado em termos de renda e de idade, desde jovens, que preferem hotéis econômicos, até famílias e idosos, que optam por hotéis com mais estrutura ou categorias superiores.