Candidato do Avante afirmou, em sabatina, que pretende ampliar a presença feminina na Corte; atualmente, Cármen Lúcia é a única mulher entre os 11 ministros 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Candidato à presidência, Augusto Cury afirma que mulheres ocupariam duas cadeiras no STF em seu governo — Foto: Reprodução/SBT News Candidato à Presidência da República pelo Avante, o psiquiatra e autor de best-sellers Augusto Cury afirmou que pretende ampliar a presença feminina no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada durante sabatina no SBT Brasil. Questionado sobre a participação de mulheres na Corte, Cury disse que, caso seja eleito, os próximos dois ministros indicados ao Supremo serão mulheres. Cury comparou as mulheres ao “ouro da humanidade” e afirmou que pretende estimular a presença feminina não apenas na política, mas também na gestão pública e privada. — As mulheres representam o ouro da humanidade. Sem elas, nossos céus não teriam estrelas, nossas manhãs não teriam orvalhos. Elas são tão importantes que eu vou encorajá-las não apenas a participarem da política, mas também vou encorajá-las na gestão particular e privada. Está provado, segundo o FMI, quando as mulheres entram, aumentam de 5% a 20% a produtividade nas empresas. No STF, os próximos dois ministros não serão homens, serão mulheres, se eu estiver sentado na cadeira de presidente — disse. Na sequência, o candidato destacou desigualdades enfrentadas por mulheres no mercado de trabalho e os índices de feminicídio. — Mas as mulheres têm sido asfixiadas. Elas pagam 4% a mais de juros que os homens, embora sejam melhores pagadoras. Elas recebem 21% a menos pelos mesmos trabalhos e uma crueldade é que, a cada cinco ou seis horas, elas sofrem um feminicídio. As mulheres serão abraçadas de maneira poderosa, porque mulheres poderosas não podem se calar — afirmou. A declaração ocorre após o Avante ser punido pela Justiça Eleitoral por descumprimento da cota de gênero, que determina que partidos e federações preencham o mínimo de 30% das candidaturas para eleições proporcionais com pessoas de cada sexo. Três mulheres em 134 anos Da esquerda para a direita, as ministras do STF Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber — Foto: Ailton de Freitas, Cristiano Mariz/Agência O Globo e Brenno Carvalho / Agência O Globo Em 134 anos de história, o Supremo Tribunal Federal (STF) teve 172 ministros, mas apenas três mulheres ocuparam uma cadeira na Corte: Ellen Gracie, nomeada em 2000 e aposentada em 2011; Cármen Lúcia, nomeada em 2006 e atualmente ministra; e Rosa Weber, nomeada em 2011 e aposentada em 2023. A presença feminina continua sendo minoritária no STF. Atualmente, Cármen Lúcia é a única mulher entre os 11 ministros da Corte. Ela divide o plenário com Edson Fachin, atual presidente; Alexandre de Moraes, vice-presidente; Gilmar Mendes, decano; Dias Toffoli; Luiz Fux; Nunes Marques; André Mendonça; Cristiano Zanin; Flávio Dino; e Luís Roberto Barroso. A última mulher a deixar o tribunal foi Rosa Weber, que se aposentou compulsoriamente ao completar 75 anos, em outubro de 2023. Desde então, duas vagas foram abertas no STF e preenchidas por homens: Cristiano Zanin, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, e Flávio Dino, escolhido pelo petista no mesmo ano. Depois, Lula indicou um terceiro homem, o advogado-geral da União Jorge Messias, mas ele teve a nomeação negada pelo Senado. Outros temas Em outros pontos da sabatina, Cury defendeu a adoção do semipresidencialismo no Brasil e disse que pretende estimular o empreendedorismo. Na educação, afirmou que quer um “Brasil neuroinclusivo”, com alunos neurodivergentes estudando junto aos demais e professores preparados para atendê-los. Também citou medidas para combater o bullying. Na segurança pública, defendeu maior integração entre as forças policiais e a criação de uma estrutura com mais de 400 mil profissionais treinados para combater a criminalidade. Sobre a política tributária, afirmou que pessoas de maior renda devem pagar mais impostos, mas criticou a carga tributária brasileira. Também disse que a reforma tributária pode prejudicar milhões de microempreendedores individuais (MEIs). Para governar com apoio do Congresso, Cury afirmou que pretende buscar um “pacto nacional” com deputados e senadores. Ao defender o semipresidencialismo, citou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como exemplo de nome que poderia exercer a função de primeiro-ministro.