Ivo Vel Kos, de 48 anos, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo; Justiça também negou pedido da defesa para converter prisão preventiva em domiciliar 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Quem é Ivo Kos, empresário da Faria Lima preso após ser acusado de agredir a mulher — Foto: Reprodução O empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, preso em flagrante por agredir e ameaçar de morte a mulher, tornou-se réu por lesão corporal contra mulher e ameaça. A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) foi aceita nesta terça-feira (18) pela Vara do Foro Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que também negou o pedido da defesa para converter a prisão preventiva em domiciliar. A agressão ocorreu na noite do último dia 14, quando Kos e a cirurgiã-dentista Giullia Vel Kos, de 27 anos, voltavam de um jantar em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Segundo o relato da vítima, a discussão começou dentro do carro e o empresário deu diversos socos no rosto e no corpo dela. De acordo com o MPSP, a violência continuou quando o casal chegou à residência. Giullia afirmou que foi atingida na mão com um taco de beisebol e ameaçada com um dispositivo de choque elétrico. Ao tentar pedir socorro pelo celular, teve o aparelho retirado pelo empresário. — Em seguida, ao tentar deixar o imóvel, a mulher sofreu ameaças de morte caso saísse da residência. Ela conseguiu fugir e pedir ajuda a vizinhos, que acionaram a Polícia Militar — informou o Ministério Público. O laudo do exame de corpo de delito apontou lesões leves, entre elas edemas e equimoses no rosto, na região dos olhos e do nariz, além de um ferimento na mão direita. Para oferecer a denúncia, a promotoria considerou o relato da vítima, as lesões constatadas pelos policiais que atenderam à ocorrência, a admissão do próprio investigado de que havia dado um soco no rosto da mulher e os laudos periciais. Ato contra o feminicídio na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro 1 de 4 Ato contra feminicídio na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, no domingo (07/12) — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo 2 de 4 Ato contra feminicídio na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, no domingo (07/12) — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo X de 4 Publicidade 4 fotos 3 de 4 Ato contra feminicídio na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, no domingo (07/12) — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo 4 de 4 Ato contra feminicídio na Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, no domingo (07/12) — Foto: Custodio Coimbra/Agência O Globo X de 4 Publicidade Manifestações ocorrem após alta nos casos de violência contra a mulher À polícia, Kos admitiu ter dado um soco em Giullia, mas alegou que teria reagido a agressões. Ele negou tê-la ameaçado com uma arma de choque e afirmado que a atingiu com um taco de beisebol. O boletim de ocorrência registra lesões nos dois. Segundo o MPSP, Giullia relatou ainda que o episódio não seria um caso isolado. Ela afirmou ter sido vítima anteriormente de agressões, ameaças de morte, controle e perseguição, além de episódios de enforcamento, sufocamento e estrangulamento. Diante da avaliação de uma escalada de violência e do risco de morte para a vítima, a Justiça concedeu medidas protetivas de urgência. Kos está proibido de manter contato com a mulher por qualquer meio, pessoalmente ou por intermédio de terceiros, e deve manter distância mínima de 300 metros dela, de sua residência, de seu local de trabalho e de seus familiares. A decisão também autorizou o retorno de Giullia à casa onde vivia com o empresário. Após a prisão em flagrante, segundo o Ministério Público, familiares de Kos teriam trocado as fechaduras do imóvel, impedindo a entrada da dentista. O carro e os pertences dela permaneciam na residência. — Na decisão, a juíza Carla Balestreri considerou que a retirada da mulher de sua própria residência e a privação de seus bens configuravam violência psicológica e patrimonial, determinando seu retorno ao lar e a restituição do carro e dos objetos — informou o MPSP. Rosto de Giullia Vel Kos após a agressão do marido, o empresário Ivo Vel Kos — Foto: Acervo pessoal/ Giullia Vel Kos O pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa foi rejeitado. Segundo o Ministério Público, a documentação apresentada não comprovou a condição de saúde exigida pela legislação para a substituição da prisão preventiva. Pelo Instagram, Giullia exibiu aos seguidores mensagens em que o empresário responde com ameaças a um questionamento da mulher sobre o contato feito por outra mulher, identificada como Cinthia. A cirurgiã-dentista indica que o marido teria mandado Cinthia contatá-la. Kos rebateu que pedia apenas por uma planilha e acusou a esposa de ameaçá-lo antes de sugerir que um enfrentamento entre os dois seria "bem ruim" para ela. "Quem paga e banca essa putaria toda sou eu. Se quiser bater de frente me fala. Vai ser BEM ruim pra vc. Não me peita e ameaça. Do mesmo jeito q posso ser bom posso ser bem mal. Senao boto meu exercito de advogados contra vc e todos" (sic), escreve o empresário para ela. Empresário é conhecido no mercado financeiro Ivo Vel Kos ficou conhecido no mercado financeiro pela criação da Virgo, securitizadora especializada em operações com instrumentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). A empresa esteve no centro de um caso investigado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conhecido como "Caso Virgo". A investigação envolve o fundo de crédito privado Allocation e suspeitas relacionadas ao uso de recursos de fundos de reserva de CRIs e CRAs. Segundo a apuração, parte do dinheiro teria sido direcionada para um CRI da Cedro estruturado pela própria Virgo. Um parecer preliminar da CVM apontou indícios de fraude e movimentações consideradas irregulares de pelo menos R$ 216 milhões em 76 títulos. Kos vendeu a Virgo depois que o caso veio a público. Atualmente, aparece na Junta Comercial de São Paulo como sócio de outras empresas do mercado financeiro.