De Nova York

Os Estados Unidos não dormem bem quando Donald Trump fala em eleições. Desde que perdeu a disputa de 2020 e passou a tratar a derrota como uma fraude jamais comprovada, cada nova investida do presidente contra o sistema eleitoral norte-americano carrega um peso que vai além da retórica ou de uma campanha por regras mais duras, mas da fabricação incessante de um ambiente no qual o voto deixa de ser um direito e passa a ser um suspeito por definição.

À medida que as eleições de meio de mandato, previstas para novembro, se aproximam, os ataques se intensificam. Na terça-feira 11, durante entrevista à rede de televisão conservadora Real America’s Voice, Trump se recusou a descartar a possibilidade de declarar estado de emergência de segurança nacional caso o Senado não aprove o SAVE America Act ( “Lei de Proteção da Elegibilidade do Eleitor Americano”, em tradução literal). Trump se esquivou, não confirmou, tampouco rejeitou a proposta. “Coisas mais estranhas já aconteceram. Vou parar por aqui.”

Dias antes, em 16 de julho, durante um pronunciamento oficial feito na Casa Branca, o presidente afirmou que a segurança eleitoral é uma questão urgente de segurança nacional e que há anos defende “uma ação ousada, rápida e decisiva para proteger a integridade das eleições”.