Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços destacou ainda que não "dará tempo para terminar" o processo de reciprocidade "antes de dezembro" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse nesta quarta-feira (19) que não vincula a negociação para reverter o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil com o calendário eleitoral. Sobre o processo de reciprocidade, ele afirmou que não "dará tempo para terminar antes de dezembro". Rosa foi questionado se há chances de avanço no diálogo com o governo americano antes das eleições presidenciais de 2026, em outubro, para reverter a cobrança adicional de tarifas para produtos importados do Brasil. O ministro declarou que, da parte do governo brasileiro, não há nenhum "atrelamento" ao calendário eleitoral e que, se houver essa relação da parte dos Estados Unidos, seria uma outra "inadequação" do comportamento do governo americano. "Eu não vinculo negociação e superação disso a calendário eleitoral. Nós estamos aqui numa negociação comercial. Nós precisamos estabelecer com os Estados Unidos um diálogo para superar qualquer outra questão e tentar ficar na questão comercial, na questão econômica, que determina a imposição das tais alíquotas de imposto lá para o Brasil", disse, em entrevista a jornalistas depois de evento da Esfera. Rosa comentou sobre processo aberto pelo governo contra os Estados Unidos no âmbito da Lei de Reciprocidade Econômica. O decreto que regulamenta a norma legislativa prevê a eventual adoção de contramedidas temporárias, mas também possibilita que todos procedimentos levem meses até que o processo seja concluído, abrindo espaço para negociações entre as partes. Apesar de achar que o processo não seja finalizado até dezembro, Rosa declarou que espera "aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano", sem dar detalhes. Segundo Roda, todos os ministérios terão prazo de até 60 dias para "colecionar informações" que possam ser levadas para deliberação do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex). Um relatório será feito neste período para discriminar os aspectos mais relevantes. Rosa defendeu que o tarifaço é uma barreira tarifária ilegal e abusiva, que causa danos para o país. Ele disse não ter medo que os EUA "dobre a aposta" com a eventual Lei de Reciprocidade. "A consulta é comunicação, é ciência, é informação para a outra parte. [...] Não estamos discutindo qual medida ser aplicada, não há razão para isso", declarou. Questionado sobre a possibilidade de expansão do comércio brasileiro com outros países, Rosa declarou que teve reunião com a delegação da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que representa 11 países da Ásia. "Nós temos muito interesse nessa proximidade com a Asean. Eu mesmo propus que nós tivéssemos um acordo de integração produtiva com os 11 países da Asean. E a discussão agora se dá em torno de como é possível que se faça ou não um acordo envolvendo também a área de investimentos", declarou o ministro. Segundo o ministro, houve aumento da exportação para o Egito, Índia, Peru, Vietña e China depois do tarifaço implementado pelos EUA contra o Brasil. Rosa afirmou que houve redução grande da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora do Brasil. "Mas ao mesmo tempo em que cai a exportação para os Estados Unidos, ela vem aumentando para outros países. Nós colecionamos nesse período um aumento de 10,5% para pelo menos 57 outros países", disse. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa — Foto: Wenderson Araujo/Valor