É caminho natural para muitos cineastas se lançarem com curtas-metragens e, depois de alcançar certo prestígio, migrar para os longas. O principal destaque desta edição do festival Kinoforum, porém, decidiu contrariar as expectativas.

Federico Luis venceu prêmios em Cannes com "Simón de la Montaña" e, imediatamente depois, retornou ao formato diminuto, com "Para os Oponentes". A aposta se pagou e o curta também foi premiado no evento francês, com a Palma de Ouro destinada ao formato.

"Muitos usam o curta para começar a fazer cinema, como um degrau em direção a um longa, mas se você se desprende dessa ideia, vai ver que é um formato puro, em que se pode testar muitas coisas", diz o cineasta argentino, agora, por telefone.

Experimentar usando esse tipo de produção é uma das propostas do Kinoforum, maior evento de curtas-metragens do país, que chega à sua 37ª edição nesta quinta-feira (20). Até o dia 30 deste mês, serão exibidos 260 títulos –127 nacionais e 133 estrangeiros–, de diferentes gêneros, nunca ultrapassando uma hora de duração.

"Um longa precisa de muito tempo, apoio e dinheiro para ser feito, então às vezes eu sinto que é um fardo grande. É uma produção que se move devagar, e às vezes você quer se relacionar com o espectador de uma forma mais leve e mais rápida", diz ainda Luis, que embora seja argentino, gravou "Para os Oponentes" no México, após se encantar pela cultura do boxe enraizada no país.