Há cerca de 15 anos, criei uma página no Facebook para minha gata, Sandi. Meus amigos acharam isso estranho. Hoje, contas de redes sociais dedicadas a gatos atraem milhões de seguidores, gatos viajam em mochilas e carrinhos de bebê, e pesquisas mostram consistentemente que a esmagadora maioria dos donos considera seus animais de estimação como parte da família.
Já escrevi anteriormente sobre como os gatos foram domesticados. Mas a domesticação não é necessariamente um processo com um ponto final. Será que ela ainda estaria ocorrendo hoje?
Exemplos da vida selvagem sugerem que a adaptação à convivência com as pessoas pode continuar muito tempo depois do primeiro contato dos animais com os humanos.
Uma pesquisa liderada pelo biólogo Kevin Parsons, da Universidade de Glasgow, fornece um dos exemplos mais claros desse processo. Em 2020, Parsons e sua equipe compararam os crânios de raposas-vermelhas urbanas de Londres e da zona rural ao redor, e encontraram diferenças consistentes entre as duas populações.
As raposas urbanas apresentavam focinhos mais curtos e largos e caixas cranianas —a parte arredondada do crânio que abriga o cérebro— menores. Essas são mudanças que frequentemente acompanham a domesticação. Os pesquisadores sugerem que a vida na cidade pode favorecer raposas que têm menos medo das pessoas e são mais hábeis em aproveitar os alimentos e abrigos fornecidos pelos humanos.







